1 de dezembro de 2013

Morrer morrendo

Quem convive comigo, sabe o quanto sou apegada a meus pacientes. Às vezes posso não transparecer, mas é meio que inevitável não ficar pensando sobre suas vidas quando estamos voltando pra casa.

Nesse 6º periodo nós ficamos acompanhando um leito de alguma enfermaria do hospital. Vemos o paciente nele internado todos os dias, colhemos sua história, o examinamos todos os dias, acompanhamos seu processo de adoecimento, diagnostico e, na maioria das vezes, cura.

É impressionante como cada paciente interfere no seu modo de ver a vida. No seu modo de lidar com ela. Mas, o mais impressionante, é quando eles mexem com o nosso processo de como ver a morte. Aprendi com todos os que passaram pelo leito 3, o meu leito, alguma coisa importante. Todos eles estão comigo todos os dias, em cada coisa que eu faço. Penso em todos todos os dias. Sei que tem gente que não vai acreditar, mas vocês não são obrigados a tal.

Quero falar já há algum tempo, sobre o sr. João(nome ficticio). João internou há algum tempo com queixa de "barriga inchada". A história dele é como a de muitos brasileiros. Começou a passar mal semanas antes, mas por não ter plano de saúde ou condições de arcar com um tratamento no setor privado, procurou a emergência publica. Com a justificativa de "o senhor não está morrendo", os hospitais de emergencia o mandavam pras UPAs, e nas UPAs João só recebia remedio pra dor. Claro que remédio pra dor não cura ninguem (a menos que seja uma doença auto-limitada, que o organismo cura sozinho), e por isso João só piorava. João acabou que foi um dia atendido por um médico, que tinha um amigo que trabalhava no hospital universitario e mandou João pra lá.

(tá, não sei exatamente os detalhes, mas foi mais ou menos assim).

João chegou ao hospital muito mal. Já tinha algumas doenças de base e no momento de admissão tinha problemas de comportamento e consciencia por problemas metabólicos, que só melhoraram alguns dias depois. Medicado para seus sintomas, começamos a investigação sobre o que ele tinha. E ao mesmo tempo em que os exames eram feitos e as hipoteses diagnosticas discutidas eu ia conhecendo melhor aquele homem de quase setenta anos. Suas histórias sobre a juventude, seu modo de encarar a vida, as coisas que mais gostava de fazer. João foi a primeira pessoa a me chamar de "dôtora".

Após alguns dias, fecharam o diagnóstico. João tinha um câncer avançado. A equipe médica pesquisou todas as possibilidades terapeuticas, mas nenhuma se encaixava em um quadro tão avançado. Opções cirurgicas e até mesmo algo paliativo, que desacelerasse o crescimento do tumor, era inviável. João ia morrer. Como todos nós vamos um dia. Mas era diferente.

Impressionante como parecia que ele aceitava melhor sua doença do que eu. Um dia ele falou "Setenta anos bem vividos tá bom. É mais ou menos o que as pessoas vivem mesmo.". E ele queria ir pra casa logo, fazer as coisas que gostava de fazer. João parecia conformado. Mas eu não estava conformada.

Não estava conformada com nosso sistema de saúde que tem inumeras falhas. João fazia sua parte, ia ao medico da clinica da familia periodicamente. João pagava seus impostos. Mas não fizeram um ultrassom de rotina nele. Se ele tivesse sido submetido ao cuidado que sua doença de base exigia nos ultimos anos, não teria chegado a esse ponto. Se seu atendimento emergencial fosse num lugar onde ele fosse investigado ao invés de receber dipirona, ele não teria chegado a esse ponto. Eu conheci João. Eu estava preocupada com proximo Natal dele. Eu sei que todos nós vamos morrer, mas por coisas bobas, João vai ter menos Natais do que ele merece.

E o que mais me incomoda é que João é só mais um. Porque todos os dias chegam pessoas a hospitais só quando estão graves demais pra serem curadas.

João foi mandado pra casa do mesmo jeito que a minha avó foi mandada pra casa 14 anos atrás, quando descobriram o câncer dela. Ele foi mandado com analgésicos do mesmo jeito que vovó. Falaram pra família dele que não poderiam fazer mais nada, do mesmo jeito que falaram com a minha família há 14 anos. João foi mandado pra casa com poucas esperanças.

Acontece que dia desses revi João. Ele estava emagrecido. Ele estava triste. Ele estava doente. Não que não estivesse antes, mas agora ele estava nitidamente doente. Quando aceitou a morte, João não planejou que fosse morrer morrendo. Sim, morrer morrendo, aos poucos. Ir dependendo das outras pessoas cada dia mais. Ir se sentindo pior e pior, e se tornar cada vez menos independente com o passar dos dias. João segurou a minha mão e falou olhando em meus olhos: "Dotôra, eu não tô bem. Antes eu tava ruim só do corpo, agora é da mente também. Eu tô mal. Eu sei que vocês não tem o que fazer. Reza por mim, dotôra, reza." Respondi que já estava rezando. E estou.

Não rezo mais por milagres, pra que as pessoas se curem. Não faço mais isso. Mas concentro minhas orações em pedir que Deus amenize o sofrimento. Porque eu conheci João e sei que esse "morrer morrendo" está lhe tirando o que ele considera sua dignidade. Rezo pra que ele tenha dignidade pra morrer. Para que Deus faça o que achar melhor.

Vocês sabem que minha imaginação é pra lá de fertil. Sempre pensei que se descobrisse que tinha alguma doença bastante ruim eu ia lutar com todas as forças até o fim pela minha vida. Mas nunca parei pra pensar o que seria de mim se eu não tivesse a chance de lutar. E João me fez pensar sobre essa possibilidade. Fiquei muito assustada. Não consigo imaginar receber uma noticia e ter que ficar sentada esperando morrer. Esperando morrer morrendo, aos poucos. É agoniante. Porque se tem um jeito bem ruim viver, seria assim.

João está em casa, com sua família. Assim como milhares de pessoas estão em casa, sem nenhuma possibilidade terapeutica. De verdade, espero que João se sinta digno. Que se sinta autônomo. Que faça o que quer. Porque todos vamos morrer um dia. Mas ninguem merece morrer morrendo.

para atualizar: João faleceu alguns dias depois desse post. Ele não passou o Natal com a familia, pelo menos não fisicamente. Mas João não estava em condições de continuar sobrevivendo. Porque viver, viver mesmo, João já não estava mais.



22 de setembro de 2013

Pacientes

Uma das coisas mais legais de se fazer Medicina é o contato com vários pacientes. Poder entrar na vida deles, ouvir o que fazem, como se sentem, é algo simplesmente incrível. Conhecer histórias de vida é gratificante. E saber que você pode interferir nessas histórias pode ser assustador. Mas enquanto sou uma mera academica, resta-me colher várias histórias, de várias doenças, de várias pessoas. Nesse 1 ano de ciclo clínico, certamente ouvir histórias muito interessantes. Não, não estou falando da história das doenças, mas da história das pessoas. Melhor ainda, conhecer as pessoas. Então, quero enumerar aqui, algumas das situações mis engraçadas com pacientes mais engraçados que conheci, passei por quase todas com Stephanie, já que a gente sempre colhe anamnese junta :

1. A senhora dos orgasmos

Eu estava no começo do 5o periodo. Precisava colher anamnese (que é a história da doença do paciente) e encontrei essa senhora de 40 e poucos anos internada na Cardio. Ela tinha doença de Chagas e colocaria um marcapasso. Quando eu cheguei na parte em que a gente pergunta sobre hábitos de vida:
" Já sei o que vocês vão me perguntar, sobre sexo. Eu sei que vocês tem que perguntar. Então, até me separar eu só tinha feito com meu marido. Aí, quando eu me separei arrumei um novo namorado. Fiquei com muita vergonha de fazer com ele, e ele foi muito paciente comigo. a gente ia pro motel e eu ficava com vergonha, daí a gente voltava. Quando finalmente a gente fez... eu não sabia que podia ser bom! Depois  tive outros namorados e foi ótimo. Não sei com quantos caras eu fiz depois disso, mas não dá contar. Às vezes era mais de um por dia, eu chegava em casa e outro me ligava. Aí eu ia. Quando eu era casada eu não sabia quanta coisa dava pra fazer. Mas apesar disso tudo eu descobri que nunca tive um orgasmo. Vocês sabem o que orgasmo? Já sentiram?Já?"
Após um momento de silencio (afinal eu estava assustada!) eu falei que não, porque eu sequer tenho um namorado. Na verdade, nada mais disso era importante pra anamnese, mas
"É, muita gente não teve. Eu conversei com outras pessoas e descobrir que, apesar de gostar da coisa, eu nunca tive um. Minha irmã fala umas coisas de um nível que eu não sinto. Acho que não vou sentir mais. Mas se vocês tiverem alguma dúvida quanto a isso, pode perguntar. Às vezes a gente tem duvida e tem que tirar, e fica sem graça de falar com a mãe ou outra pessoa. Mas eu quero ajudar."
O mais interessante foi como a dona M. inverteu o jogo como se ela estivesse cuidando da gente. E como ela falou disso tudo com a maior naturalidade.

2. O ex-travesti

Eu estava na DIP (doenças infecto-parasitárias) quando comecei a colher a historia de A., que era um rapaz que tinha HIV desde que nasceu. Logo, ele era imunossuprimido desde sempre e teve muuuitas doenças na infancia. Mas ele tinha 30 anos. Provavelmente os pais dele foram uns dos primeiros casos de AIDS no Brasil. O cara tinha todo o trejeito GLS. Acabou que na hora em que eu comecei a citar que perguntaria sobre habitos sexuais, ele começou a se soltar sozinho:
" Ah, claro. Então, eu já me envolvi com homem e com mulher. Eu inclusive já fui uma travesti linda. Eu andava na rua e as pessoas falavam 'olha que morena gostosa'. O nome que eu usava era Lana Beatriz. Eu escolhi esse nome quando namorei um francês e ele queria me levar pra França com ele, eu já tinha tirado passaporte e tudo. Na França, eu ia fazer cirurgia pra mudança de sexo. (...) Mas agora eu não sou mais disso, há seis meses eu entrei pra Igreja, desde que minha vó sofreu um AVC. Eu quero que ela seja feliz. Aí entrei pra Igreja e vou casar com uma mulher. Quero levar uma vida direita. (...) Mas quando eu tava no mundo eu gostava daqueles homens fortes, altos, que te jogam na parede e te pegam de jeito.(...) Mas eu saí dessa vida, tô na benção agora."
Desculpa Feliciano, mas tem coisas que não têm cura. Porque não é doença, é jeito de ser. E é pra sempre.

3 . A senhorinha da lista

Essa foi a melhor. Dona E. tinha 60 e poucos anos e estava internada pra operar uma hérnia. Enquanto ela contava sobre os médicos pelos quais passou, relatava o quanto eram bonitos, gentis...
" Vocês namoram com os médicos daqui?"
Contei que não. Esse é o tipo de impressão de Greys Anatomy deixa nas pessoas.
" Pois vocês são tontas. Pois têm uns médicos lindos nesse hospital. eu já tô velha, mas vocês têm que aproveitar. Anota aí (e pegou um papel na bolsa): dr. Fulano atende no ambulatório tal às quintas de manhã. Dr Beltrano atende no ambulatório tal as sextas de manhã. Dr. Cicrano atende às terças à tarde, esse inclusive terminou com a namorada semana passada, porque eu ouvi ele comentando sobre isso com alguém no celular. Se eu fosse você (e aí apontou pra mim) ia nesse. Vai lá, joga os cabelos, joga um charme, garota. É um desperdício estar num lugar desse e não aproveitar."


4 de agosto de 2013

Foragido.

Aconteceu há umas três semanas.

E o problema todo começou depois da festa junina do trabalho de mamãe. É que cada professora ficou com uma barraca na festa junina, e mamãe resolveu escravizar todo o clã Peril-Pereira. Pois é, e estávamos às vésperas da prova de farmacologia. Mas mães são assim, exigem nosso tempo, nossa atenção, nosso carinho, nossa dedicação, nossa alma e nossa maquiagem.

Como mamãe ficou na barraca que "homenageava" o milho, ficamos o sábado todo vendendo angu e milho cozido. Eu não sabia que as pessoas gostavam tanto de angu. Eu achava que essa paixão era coisa de gente pobre que gosta de comida de roça, como eu. Mas não, realmente muita gente. E não é por nada não, mas considerando as habilidades culinárias da minha família, não duvido que estava ótimo. Porque eu não comi, já que deixei para comer depois da festinha e no fim de tudo eu estava enjoada só em pensar em angu. Se vocês ficassem 7 horas seguidas ao lado de panelas de angu e seus molhos entenderiam. Acontece que no fim das contas, papai se empolgou e comeu três pratos CHEIOS de angu. E não foi com a opção "molho saudável de carne moída", foi com a opção "molho maligno com coisinhas suínas".

Partindo do princípio que papai divide a posição de Estomago mais Sensível do Mundo comigo, não tinha como dar em outra. Ele começou a passar mal no dia seguinte, com enjoos, vomitos e muita dor abdominal. Eu falei que deveria ser uma intoxicação, que ele tinha que se hidratar e ter uma alimentação leve pra melhorar. Mas obviamente ele disse que eu estava fazendo pouco caso do mal que o assolava e foi pro hospital na terça feira de manhã, sendo diagnosticado com "nada". Na noite de terça pra quarta ele voltou ao hospital com mamãe, dizendo as dores estavam muito fortes. Papai me ligou às 5 da manhã dizendo que estava no hospital com suspeita de apendicite.

Travei: meu pai tava com apendicite e eu ali, ignorando e dizendo que ele só tinha uma intoxicação alimentar! Me senti uma das piores pessoas do universo, como se eu estivesse ignorando solenemente meu pai com um caso cirurgico de emergencia! Saí de casa correndo pro hospital e chegando lá encontrei papai no soro. Estava esperando trocar o plantão pra fazer a cirurgia. Eu fiquei um tempo com papai, deixei ele lá com mamãe, voltei em casa, falei com Teco e fui  pra faculdade. Às 11hs ligo pra mamãe e ela me diz que os médicos desse plantão não acham que papai tem apendicite e que ele foi submetido a uma segunda tomografia computadorizada. Às 14h ligo pra mamãe e ela me diz que papai  está indo pro centro cirurgico, que eles vão procurar a causa da irritação peritoneal que está causando a dor em papai. Ele estava indo pra uma cirurgia exploratória.

Às 17:30 ligo pra mamãe mais uma vez, quando eu já estava no onibus voltando pra casa. E tudo o que ela me diz é:
mamãe: "Seu pai fugiu do centro cirurgico".
eu: "Como assim?"
mamãe: "Ele teve uma crise nervosa no centro cirurgico e não deixou o anestesista anestesiá-lo, os dois cirurgiões tentaram convencer seu pai, mas não teve jeito. Ele assinou um termo afirmando que saiu do hospital por vontade própria e que não vai fazer cirurgia nenhuma"
eu, já desesperada: "Mãe, passa pra papai! Ele tá maluco? Ele quer morrer?"
mamãe: "Você não vai discutir com seu pai, ele está triste. Estamos indo pra casa, lá a gente conversa."

Coisas que só acontecem na minha família. Pessoas fugirem do centro cirurgico. É claro que eu fiquei em pânico, papai poderia morrer, sei lá o quê ele tinha, não é mesmo? Em casa, papai só chorava e se recusava a voltar ao hospital. Foi a noite inteira todo mundo convencendo papai a voltar ao hospital e, com muito, custo, convencemos ele a voltar ao hospital no dia seguinte. Na manhã seguinte eu acordei e encontrei papai fazendo flexões na sala. Flexões! "Papai, o senhor tá maluco?", "Não, Luma, tô ótimo, olha!"
Fomos pro hospital. O plantonista dessa vez (belo médico, por sinal) viu que papai já não tinha mais nenhuma descompressão dolorosa, viu os exames e tudo o que ele disse foi: "Senhor, seu caso não é cirurgico não! Foi só uma intoxicação alimentar."

Que alívio!Alívio porque a noite anterior havia sido terrível, com medo do que papai poderia ter. Alívio porque ele tava bem (fazendo flexões, quem diria!). Alívio porque meu diagnostico estava certo desde o começo (estudante de medicina feelings).
Alívio de papai porque não tinha ganho uma cicatriz em seu abdome atletico e ninguém tinha roubado um rim seu durante uma cirurgia.
E a partir daí foi uma melhora progressiva de modo que no sábado seguinte papai tava ótimo.

Fala sério, coisas que só acontecem na minha família.


21 de junho de 2013

Peds

7 horas da manhã e eu dormindo no onibus. De repente um bebê começa a chorar. Chorar muito. Chorar muito alto.
"Desisto da pediatria" digo eu.
10 minutos depois o bebê (de mais ou menos uns 2 anos) para de chorar e fala: "Tá, aí vai, a mamãe, a vovó, o neném..." com aquela voz de criança fofa que está aprendendo a falar.
"Retiro o que disse sobre pediatria. Eu quero *-* "

8 de junho de 2013

parecia um ET

Teco: "Mãe, por que os bebês são bonitos? Nascem bonitnhos?"

Mamãe: "Não, nem todos os bebês nascem bonitos"

eu: "alguns nascem horríveis. Ficam bonitinhos depois."

Mamãe: "Teco, você por exemplo nasceu horrível. Horrível mesmo. Parecia um ET. Eu olhava pra você e pensava 'por que meu filho é tão feio?'. Mas os meses passaram e você virou um bebê lindo. Eu não sei como, mas de um ET você virou um bebê lindo."

2 de junho de 2013

Já escolheu?

Papai: "e aí, filha, já escolheu sua especialidade?"
"Não, pai."
Papai: "O que vc acha de cardio?"
"É dificil, é chato."
" Já pensou se vc fosse uma neurocirurgiã?"
Rio alto. "Sem chances, não tenho QI pra isso. E não tenho a menor sensibilidade com movimentos finos, fico tremendo."
"Ortopedia?"
"Pai, eu não sou marceneira. Sou fraquinha, mal consigo abrir latas. Quiçá colocar um braço no lugar."
" Pediatria, filha?" - e agora papai faz a pergunta esperando que eu responda negativamente.
"Eu gosto da pediatria. Mas o problema são os bebês, eu nunca sei o que eles estão sentindo."

E daí eu chego num impasse. Também não gosto de nefrologia, nem de pneumo. E endócrino é dificílimo, e além disso endócrino é uma especialidade feminina, daí minhas colegas de trabalho vão ser magras e elegantes, e minha autoestima vai pro chão. Em neurologia, a maioria dos meus pacientes não vai ter cura. Em reumato também. E nem me venham com a ideia de oncologia, não preciso de mais biologia celular na vida. E não quero passar o resto da vida olhando vaginas, então dispenso gineco.
Oh lord, o que eu farei da vida? Tudo bem que eu ainda tenho mais 3 anos e meio pra escolher mas eu nao quero ser igual aquelas pessoas que só decidem a profissão que querem no dia da inscrição no vestibular.

"Sabe pai, eu gosto de cirurgia plastica reparadora. Acho bonitinho consertar orelhas de abano."
"Menos filha, pra isso tem que saber muito".

19 de maio de 2013

A ligação caiu.

Mamãe tá no telefone com tia Giovana quando de repente a ligação cai.
Mamãe liga de novo:
"A ligação caiu."
E minha tia: "Não, dois moleques me assaltaram. Mas já tá tudo certo, dei umas porradas neles, peguei meu celular e eles foram embora. Pode falar."

13 de maio de 2013

Soy de Bolivia.

Daí que mamãe foi ao dentista no sábado. E voltou sem ter feito o serviço que era pra fazer. E por quê?

"Luma, não tinha como ficar lá. Me jogaram pra uma boliviana. A minha dentista falou que tava sem tempo e me falou que a outra iria me atender. Quando eu olhei aquela carinha latina da mulher pensei logo 'não mesmo'.
- Qual seu nome? - perguntei antes que ela perguntasse o meu.
- Mi nome es Lupita*.
- E de onde você é?
- Sou de Bolivia.
- Estudou lá?
- Estudei lá e aqui. Mas está tudo correcto, tenho permissão para trabajar aqui.


Daí eu lembrei daquilo que você me falou, Luma. Que na Bolivia a faculdade de medicina dura 4 anos e custa 400 reais. E que a maioria nao consegue reavalidar. O que seria da faculdade de odonto então? 18 meses de supletivo? Não, não mesmo, semana que vem eu volto pra minha dentista BRASILEIRA. A que demorou pelo menos 4 anos na faculdade. "

Isso foi mamãe na vibe de ódio a Dilma e os medicos cubanos e descontando na dentista boliviana.

Relaxem, mamis nao é malvada nem preconceituosa ao extremo não, haha. É que a gente tinha conversado sobre isso na sala de espera antes dela entrar no consultorio.

*obviamente a mulher nao se chamava Lupita. Mas eu achei que seria um pseudonimo fantastico. Ah, e segundo mamis, a conversa transcorreu em portunhol mesmo.

ps.: não sei se na Bolivia medicina dura 4 anos e custa 400 reais. a gente tava falando que era tipo isso, mas saber mesmo eu nao sei.

7 de abril de 2013

Arrombamento pela gestalt

Sábado, 06 de abril de 2013.

" Começou pelo telefone. eu estava vindo do centro de Niterói dentro do onibus com ar condicionado que vai pra Maricá porque tinha dado tempo de fazer bilhete único com a van que usei na ida. Fazia muito calor fora do ônibus, mas lá dentro a temperatura estava agradável. 
Estava passando pelo Caramujo, comunidade de Niterói, rumo a minha casa, quando a minha mãe fala comigo pelo  celular 'Você não vai acreditar no que seu irmão fez, foi IN-CRÍ-VEL.' 
Desliguei o telefone e cheguei em casa 15 minutos depois. Entrei pela porta da sala, que estava com o pufe verde atrás e tive que fazer força pra empurrar o pufe verde e a porta abrir. 
Assim que entrei, foi como se eu fosse Nicole Kidman chegando ao Oscar. Mamãe e Teco me cercaram e foram me levando até a porta do quarto dos meus pais, onde eu vi a cena. Vi o objeto, vi as provas. Lá estava, a porta arrombada. 
'O que aconteceu aqui', perguntei. 'O vento que entrou pela janela fez a porta bater com força e maçaneta quebrou. A porta ficou trancada. Seu irmão precisou entrar em ação', respondeu mamãe."
Luma Peril, 20 anos, estudante, vulgo "eu".


" Primeiro fiquei aflita se havia alguém lá dentro, olhei pela fechadura e vi que não. Alívio. Pensei na hora: dívida no chaveiro. Depois pensei que na área de serviço tinha muita roupa pra passar, dava pra sobreviver sem entrar no quarto por uns dias. Ainda bem que o notebook e meus documentos não estavam lá dentro. Quando de repente, não mais do que de repente, lembrei: TODO O MEU MATERIAL PRA PREPARAR AS PROVAS ESTAVA LÁ DENTRO  e  precisava mandar tudo por email para o coordenador ainda esse fim de semana. Entrei em pânico. Peguei duas chaves de fenda. Eu e Teco brigamos sobre quem seria o herói a arrombar a porta com chaves de fenda. Tudo em vão. E Teco falando: 'vou arrebentar'. Eu disse então: 'Calma, moramos em apartamento. Melhor não incomodar a velha do quarto andar(ela é pior que a de Duplex)'. O desespero tomou conta de mim e eu disse: 'Teco, arromba' e instantaneamente tapei os ouvidos. Três pancadas depois a porta abriu."
Luciana Peril, 41 anos, professora, vulgo "mamis".

"Eu estava assistindo The Mentalist no meu quarto quando mamãe me chamou desesperadamente, pois a porta de seu quarto havia sido trancada pela força do vento. Na tentativa de abrí-la, pegamos duas chaves de fenda e começamos a cutucar. Mas não funcionou. Então mamãe me deu o aval para arrombar a porta. Daí, como nas reportagens policiais de Marcelo Rezende (eu ouvi em minha mente a frase "corta pra mim" na voz dele) tive a ideia de arrombar a porta com os pés, como nas cenas de filme policial. No primeiro chute, quase não se mexeu. No segundo, afroxou. No terceiro, acabei com ela. Naquele momento me senti o Jackie Chan do Arsenal. Mas acabei gritando: ' É Zé Pequeno, porra!', porque acho o grito dele enfático."
Marco Antonio, 15 anos, estudante, conhecido como "Teco" ou então "irmão de Luma", que finalmente mostrou que praticar jiujitsu tem alguma utilidade.

"Que merda é essa que fizeram nessa porta?"
Marcos Antonio, 51 anos, autonomo, vulgo "papai".


31 de março de 2013


Quando chega a páscoa é assim. Os coleguinhas rykos ficam postando essas fotos de ovo de páscoa. exaltando minha pobreza, toda a falta de grana que existe entre eu e meus bombons e barras. (relaxem bebes, apesar da pobreza que nos uniu mamãe vos ama).

Já vi de tudo hoje no facebook. Até ovo da Kinder Ovo ( é maxx que se chama?). Sabe, cadê o respseito aos amiguinhos pobres? Cadê? E principalmente, onde esse pessoal tá arrumando dinheiro pra ficar comprando ovo de páscoa? Estão aceitando penhora de rim e/ou córnea e/ou fígado em algum lugar? É sério, tão aceitando?

24 de março de 2013

Camisa Vermelha

Essa semana eu saí de casa com uma blusa vermelha. É a única roupa vermelha que eu tenho, uma blusinha velha e surrada de mangas, que é excelente para ir na padaria em dias de temperatura amena.
Estava eu atravessando a passarela que tem perto da minha casa quando uma senhora de uns 60 anos que eu nunca vi na vida me parou e falou;
"Você está linda com essa blusa."
E eu lancei aquela cara de "o quê?".
E ela: "é, deixou vc bonita, com as bochechas coradinhas."
E eu toda sem graça: "ah, obrigada, rs"

E agora, como faz pra tingir todas as minhas roupas de vermelho?

20 de março de 2013

Pé de balas



Em homenagem ao dia do contador de história, aí vai a história que minha mãe contou pra sua turminha de educação infantil hoje:

" Eu estava na rua e encontrei um papel de bala. Enterrei o papel de bala. Cresceu um pé de balas. Eu colhi as balas e vendi numa barraquinha de doces. Fiquei rica. Coloquei todo o dinheiro numa mala. Mas peguei um ônibus e esqueci minha mala de dinheiro nele. Fiquei pobre de novo."

- Vai trabalhar tia! - aluno da minha mãe que só tem 5 anos e ficou dando conselhos de vida a ela.

Qual parte da história não pode acontecer na vida real?
...
...
Sim, a parte da pessoa rica aceitar o sofrimento de pegar ônibus.
http://3.bp.blogspot.com/_6D8DLcwIUwI/SwrmqNoyAmI/AAAAAAAABxw/9Qsl7kUGK6I/s1600/Natal+ilca+040.jpg
foto roubada de: http://trspedagogascomamor.blogspot.com.br/2009/11/saco-de-panetone-arvore-de-bala-bota-de.html

17 de março de 2013

Sobre o Camaro Amarelo

Nas últimas semanas rodaram pelo facebook várias versões de quadrinhos reclamando que a música do Camaro Amarelo foi eleita melhor do ano por algum lugar. Não sei que concurso foi esse, como eu vi que o Melhores que o Faustão organiza aconteceria por esses tempos, deduzi que deva ser esse. Mas não sei.

O que eu penso é que: por que diabos as pessoas insistem em sempre reclamar, a serem chatas? Por que diabos as pessoas insistem em ser metidas a "sou cult, só ouço rock clássico" e outras coisas do tipo?

Não, não acho que o camaro amarelo foi a melhor música do ano. Não mesmo. Mas eu acho que a gente não pode negar o quanto os seres humanos desse país se divertiram cantando e dançando o Camaro. E mais ainda: que validade tem esse tipo de coisa: ser eleita a melhor música do ano? Sei não, gente, mas acho que quando as pessoas passarem a sorrir mais, brincar mais etc, vão descobrir que viver pode ser mais prazeroso.

E isso fez com que eu parasse pra escrever o que penso há muito tempo sobre todo o discurso "sou intelectual" que vejo por aí. Como quando a música do Michel Teló tava bombando no mundo todo e os brasileiros só sabiam reclamar. Quero dizer, quantos milhões de pessoas não ficaram brincando de dançar o "Ai, se eu te pego" no mundo todo? É feio ver o mundo brincar com uma música?

Acho que músicas não são só pra ser contempladas com coisas "oh, mas que lindo" enquanto as lágrimas descem. Musicas são pra isso também. Músicas são pra muitas coisas. São pra brincar, pra dançar, pra criticar, para se apaixonar, para contemplar. Existe musica pra tudo. Enão é uma coisa mais fofa, engraçada e brincalhona uma música onde um cara tira onda com a menina que deu fora nele porque ele não tinha carro? e que agora ele se vinga e esfrega na cara dela que agora que tem um camaro amarelo vai ignorá-la? Ou então crianças dançando "eu quero tchu... eu quero tcha..." . Qual o problema das crianças dançarem o tchu-tcha? Qual, Jesus amado?

 E já que eu tô nessa vibe desse discurso, essa semana também rodou por aí um vídeo onde um cara é entrevistado pelo repórter do BBB, e depois faz um grande discurso que "BBB é o fim da humanidade". Eu não vejo Big Brother. Mas porque eu não tenho vontade de ver, tenho sono e prefiro fazer outras coisas. E daí todo mundo começou a compartilhar a porcaria do vídeo. Será que eu sou a única alma na face da Terra que acha que a melhor frase do vídeo foi quando o repórter respondeu: "É só você trocar de canal". E por qual razão, motivo, circunstancia, as pessoas que ficavam compartilhando isso eram majoritariamente telespectadores do programa já citado? Eu não gosto, troco de canal, vou ler, estudar, dormir, vou pra internet... tem TANTA coisa pra fazer! Deixa quem quer assistir fazê-lo. Sabe, quando a pessoa vai assistir a um programa de tv, eu acho que ela pode se dar ao luxo de ver qualquer porcaria que queira. Desde que isso não coloque uma mensagem subliminar "mate pessoas" na cabeça da população, é claro. As pessoas estão muito preocupadas em ser metidas a cult, mal sabem elas que pessoas excessivamente intelectuais acabam sendo chatas.

Sabe, eu gosto do Camaro Amarelo. E dancei muito "Ai, se eu te pego". E eu amo Paola Bracho. E via Avenida Brasil, gamava na "divês" de Carminha. Eu vejo Glee. E eu não apenas acho, mas tenho certeza que esse tipo de coisa não faz de mim uma pessoa estúpida.




16 de março de 2013

EsAOM



A historia abaixo é baseada em fatos reais. Não é 100% real, mas uns 95%, sabe como é, tem que ter um apelo dramatico. E a testemunha não lembra de tudo nos mínimos detalhes. não que estivesse alcoolizada, inshalá. Apenas ela alega que estava com sono. Os nomes obviamente são fictícios.

Um grupo de 7 amigos, jovens por volta dos 20 anos, estão reunidos na varanda da casa de um deles, às 3 da manhã, após uma festa. Um dos rapazes, Juscelino,bastante alcoolizado, diz:

- Então, quando vocês estiverem perdidos, usem o EsAOM.

Marco Aurélio faz cara de confuso e fala: " EsAOM?"

- É, EsAOM. - Juscelino prossegue. - Você está perdido, daí tem que usar.

- Mas ninguém está perdido. - diz Juremilda.

- Mas quando vocês ficarem perdidos vai ser útil. - prossegue Juscelino - A primeira coisa é Estacionar. Vocês precisam parar, não ficar mais se perdendo.

Todos fazem cara de "prossiga!", que é o que Juscelino faz:

- Após Estacionar, você tem que se Alimentar. Você precisa se Alimentar para ter condições de resolver o problema. Daí, após se Alimentar, você precisa se Orientar.

Murialdo pergunta em voz baixa: - E de Estacionar. A de Alimentar. E o S?

Marco Aurélio responde: - O S é minúsculo, faz parte de Estacionar.

Murialdo: - Mas qual a importância do s de Estacionar? Qual a importância desse  s? EsAOM soa melhor que EAOM?

Marco Aurélio: - E eu que vou saber?

Juscelino então prossegue, ignorando a conversa dos amigos: - Então, agora Alimentados, vocês são pegar a sua bússola e se Orientar, ver pra onde fica o norte, e então...

Margarilde pergunta: - Peraí, o que eu vou comer para me alimentar? Eu tenho que procurar um restaurante, uma lanchonete? Porque eu não como comida na rua. Só a da minha mãe. E se tiver sido feita na hora. Ou então eu posso comprar um Doritos. Eu gosto de Doritos. Ei, eu preciso carregar um Doritos na bolsa?

Juscelino: - Na verdade, você vai estar perdida na floresta, você come o que tiver.

Margarilde, cheia de ironia: - Claro, vou comer uma frutinha maligna igual a de "A lagoa azul".

Juscelino continua: - E aí, quando você estiver perdido na floresta...

TCNEMLPTP (testemunha cujo nome é muito lindo para ter pseudonimo) : - E por que diabos eu estaria andando numa floresta?

Juscelino: Então, nessa hora vocês vão se Orientar, pegar a bússola e...

TCNEMLPTP: - E por qual motivo, razão, circunstancia, eu estaria andando sozinha na floresta? Com doritos na bolsa? Com uma bússola? Em pleno século XXI?

Juscelino: Vocês vão pegar a bússola, se orientar para o norte e então seguir, se Movimentar, pois assim não andarão em círculos.

Elvira, a caçula e mais ingênua do grupo, com cara de quem descobriu a cura da AIDS: - Ah, agora eu entendi! EsAOM é uma sigla, certo?









8 de março de 2013

Hey seres humanos!

primeiro de tudo, e com algumas semanas de atraso: OBRIGADA PELAS 25.000 VISUALIZAÇÕES DE PÁGINA!

 Sério, como agradecer isso? eu quase nunca tenho tempo de postar, em muitos posts uso o blog mais pra ficar perturbando os outros com meus problemas do que fazê-los mais felizes, e mesmo assim continuo recebendo visitas. cara, isso é INCRÍVEL!
Tá, a maioria dessas visualizações são de pessoas que caíram no blog por acaso e logo em seguida saíram, sem ler nada. Mas algumas leem, até comentam, e isso me faz MUITO FELIZ.

Esse fim de período em começo de ano (greve, eu te odeio), foi muito, muitíssimo exaustivo. E por isso eu me afastei do blog, fiquei sem postar. além disso, vou ser sincera, às vezes eu quero falar alguma coisa e acabo colocando no facebook. Mas relaxa, que no fb eu não coloco nada sobre grandes lições de vida, o quanto a vida é difícil, o quanto as pessoas me odeiasm... Porque isso é um saco. E "lições de vida" são controversas entre si, e ninguém me odeia ou tem inveja de mim - eu não vejo razão pra isso - e se tivesse eu não tô nem aí. Tenho contas pra pegar, disciplinas pra estudar e engarrafamento pra pegar. Não dá tempo de me preocupar com coisas bobas.

e o quê comentar agora? Só dei sinal de vida e não consigo pensar em nada pra contar. Nada muito legal. Vou pensar. Semana que vem, se com a glória de Deus Pai eu não ficar de prova final em nada, procuro vir aqui e comentar algo. é porque as coisas acontecem mas... se eu não posto logo depois fica sem graça de postar.

beijos, a gente se fala.

28 de janeiro de 2013

Minhas 10 ideias

Esse blog tá super abandonado, eu sei. A faculdade está me sugando. Acho que só não choro de desespero porque eu tô com sono demais, cansada demais pra gastar energias com movimentos faciais.

Mas eu preciso fazer uma coisa, e não posso adiar, é arriscado.

Ontem, quando eu soube da partida daqueles mais de 200 jovens, que assim como eu, eram universitários e gostavam de se divertir e que "teriam um futuro inteiro pela frente", eu pensei: " e se eu morrer"?

Porque agora eu tô bem, alegre, comprando roupa no cartão de crédito. Mas só Deus sabe como vou estar amanhã ou depois, então eu quero deixar algumas coisas esclarecidas. Bem esclarecidas.

Quando eu morrer, eu não quero que ninguém trave a vida. Eu posso morrer com 30 ou 105 anos, não sei. Mas não quero ninguém travando a vida por minha causa. Eu sou alegre, brincalhona. No dia em que eu partir, não vai ser diferente. Eu vou ter ido pra outro lugar. Eu acho que tem vida depois daqui, ou seria muita sacanagem tanto esforço aqui pra nada. Mas pra quem não acredita nisso de ir pra outro lugar, pensem que um pessoa está viva quando suas ideias estão vivas. Por exemplo, quando a gente passa embaixo da Perimetral e vê "Gentileza gera Gentileza" nas pilastras o poeta Gentileza e sua família (cuja morte o inspirou) estão vivos.

roubada de http://oimpressionista.files.wordpress.com/2006/06/03.jpg

 Então, no dia que meu cérebro parar de funcionar deixem as ideias dele funcionando. E as ideias são:


1. Eu acredito na bondade das pessoas. Quando a gente acredita na bondade das pessoas, elas tendem a ser melhores. Experimente.

2. Doem-me toda. Se meus órgãos, minha pele, meu sangue, meus ossos não servirem pra outras pessoas vivas, que sejam enviados para pesquisas. Não faço questão de ser enterrada. O mercado imobiliário está em alta, não quero ninguém desperdiçando espaço comigo. Não quero.

3. Brinquem o tempo todo, mas sem ferir os sentimentos dos outros. É bom brincar. Contem piadas, deem risadas. Andem de patins ( eu nunca andei! - vou fazer isso!), de bicicleta, de skate. Andem cantando nas ruas, dancem sem ter vergonha de serem felizes.

4. Não tomem Tang. Aquilo faz mal. Mal por mal é melhor tomar guaraná mesmo.

5. Não fiquem mais de 4 horas sem comer e/ou mais de 2 horas sem beber nada. Dá mau-hálito. Pior, hálito fecal. É sério, eu aprendi na faculdade. E ninguém merece mau-hálito.

6. Ajude os outros, mas sem se prejudicar. Não seja competitivo, mas sim justo.

7. Assistam Glee. E The Big Bang Theory. E How I met your Mother. E principalmente Dexter.

8. Comam bolo quente, de preferencia feito com bastante margarina na receita. É uma delícia. Nunca me deu dor de barriga. Desconfio que seja tudo mito.

9. Doem meu Littman pra algum acadêmico de medicina ferrado.

10. Principalmente: NÃO DESISTA DOS SEUS SONHOS, AO CONTRARIO, ALIMENTE-OS. E ALIMENTE OS SONHOS DOS OUTROS TAMBÉM. A BUSCA HONESTA PELOS SONHOS FAZ DE NÓS PESSOAS MELHORES. E PESSOAS MELHORES FAZEM UM MUNDO MELHOR.

Essas são as minhas lições. No dia que perder alguém (não é praga, todos nós passamos por isso) pense nos mandamentos dessa pessoa e pratique-os, espalhe-os. Das, duas, pelo menos uma: ou essa pessoa se manterá viva porque suas ideias estão vivas e/ou ela estará muito feliz em sua nova morada.

beijos

http://files.yabadabadooeventos.webnode.com.br/200010595-65d9766d36/surpresa.gif , foto roubada na mão grande.

p.s.: mãe, eu sei que a senhora vai ler isso. antes que implique. Não, eu não estou chamando desgraça. Estou falando de uma coisa normal pela qual todos nós vamos passar. Eu só quis avisar logo ao mundo sobre as ideias que eu quero que mantenham vivas quando eu não puder mais fazer isso, que pode ser daqui a 100 anos. Só isso. não é nada traumatico.

1 de dezembro de 2013

Morrer morrendo

Quem convive comigo, sabe o quanto sou apegada a meus pacientes. Às vezes posso não transparecer, mas é meio que inevitável não ficar pensando sobre suas vidas quando estamos voltando pra casa.

Nesse 6º periodo nós ficamos acompanhando um leito de alguma enfermaria do hospital. Vemos o paciente nele internado todos os dias, colhemos sua história, o examinamos todos os dias, acompanhamos seu processo de adoecimento, diagnostico e, na maioria das vezes, cura.

É impressionante como cada paciente interfere no seu modo de ver a vida. No seu modo de lidar com ela. Mas, o mais impressionante, é quando eles mexem com o nosso processo de como ver a morte. Aprendi com todos os que passaram pelo leito 3, o meu leito, alguma coisa importante. Todos eles estão comigo todos os dias, em cada coisa que eu faço. Penso em todos todos os dias. Sei que tem gente que não vai acreditar, mas vocês não são obrigados a tal.

Quero falar já há algum tempo, sobre o sr. João(nome ficticio). João internou há algum tempo com queixa de "barriga inchada". A história dele é como a de muitos brasileiros. Começou a passar mal semanas antes, mas por não ter plano de saúde ou condições de arcar com um tratamento no setor privado, procurou a emergência publica. Com a justificativa de "o senhor não está morrendo", os hospitais de emergencia o mandavam pras UPAs, e nas UPAs João só recebia remedio pra dor. Claro que remédio pra dor não cura ninguem (a menos que seja uma doença auto-limitada, que o organismo cura sozinho), e por isso João só piorava. João acabou que foi um dia atendido por um médico, que tinha um amigo que trabalhava no hospital universitario e mandou João pra lá.

(tá, não sei exatamente os detalhes, mas foi mais ou menos assim).

João chegou ao hospital muito mal. Já tinha algumas doenças de base e no momento de admissão tinha problemas de comportamento e consciencia por problemas metabólicos, que só melhoraram alguns dias depois. Medicado para seus sintomas, começamos a investigação sobre o que ele tinha. E ao mesmo tempo em que os exames eram feitos e as hipoteses diagnosticas discutidas eu ia conhecendo melhor aquele homem de quase setenta anos. Suas histórias sobre a juventude, seu modo de encarar a vida, as coisas que mais gostava de fazer. João foi a primeira pessoa a me chamar de "dôtora".

Após alguns dias, fecharam o diagnóstico. João tinha um câncer avançado. A equipe médica pesquisou todas as possibilidades terapeuticas, mas nenhuma se encaixava em um quadro tão avançado. Opções cirurgicas e até mesmo algo paliativo, que desacelerasse o crescimento do tumor, era inviável. João ia morrer. Como todos nós vamos um dia. Mas era diferente.

Impressionante como parecia que ele aceitava melhor sua doença do que eu. Um dia ele falou "Setenta anos bem vividos tá bom. É mais ou menos o que as pessoas vivem mesmo.". E ele queria ir pra casa logo, fazer as coisas que gostava de fazer. João parecia conformado. Mas eu não estava conformada.

Não estava conformada com nosso sistema de saúde que tem inumeras falhas. João fazia sua parte, ia ao medico da clinica da familia periodicamente. João pagava seus impostos. Mas não fizeram um ultrassom de rotina nele. Se ele tivesse sido submetido ao cuidado que sua doença de base exigia nos ultimos anos, não teria chegado a esse ponto. Se seu atendimento emergencial fosse num lugar onde ele fosse investigado ao invés de receber dipirona, ele não teria chegado a esse ponto. Eu conheci João. Eu estava preocupada com proximo Natal dele. Eu sei que todos nós vamos morrer, mas por coisas bobas, João vai ter menos Natais do que ele merece.

E o que mais me incomoda é que João é só mais um. Porque todos os dias chegam pessoas a hospitais só quando estão graves demais pra serem curadas.

João foi mandado pra casa do mesmo jeito que a minha avó foi mandada pra casa 14 anos atrás, quando descobriram o câncer dela. Ele foi mandado com analgésicos do mesmo jeito que vovó. Falaram pra família dele que não poderiam fazer mais nada, do mesmo jeito que falaram com a minha família há 14 anos. João foi mandado pra casa com poucas esperanças.

Acontece que dia desses revi João. Ele estava emagrecido. Ele estava triste. Ele estava doente. Não que não estivesse antes, mas agora ele estava nitidamente doente. Quando aceitou a morte, João não planejou que fosse morrer morrendo. Sim, morrer morrendo, aos poucos. Ir dependendo das outras pessoas cada dia mais. Ir se sentindo pior e pior, e se tornar cada vez menos independente com o passar dos dias. João segurou a minha mão e falou olhando em meus olhos: "Dotôra, eu não tô bem. Antes eu tava ruim só do corpo, agora é da mente também. Eu tô mal. Eu sei que vocês não tem o que fazer. Reza por mim, dotôra, reza." Respondi que já estava rezando. E estou.

Não rezo mais por milagres, pra que as pessoas se curem. Não faço mais isso. Mas concentro minhas orações em pedir que Deus amenize o sofrimento. Porque eu conheci João e sei que esse "morrer morrendo" está lhe tirando o que ele considera sua dignidade. Rezo pra que ele tenha dignidade pra morrer. Para que Deus faça o que achar melhor.

Vocês sabem que minha imaginação é pra lá de fertil. Sempre pensei que se descobrisse que tinha alguma doença bastante ruim eu ia lutar com todas as forças até o fim pela minha vida. Mas nunca parei pra pensar o que seria de mim se eu não tivesse a chance de lutar. E João me fez pensar sobre essa possibilidade. Fiquei muito assustada. Não consigo imaginar receber uma noticia e ter que ficar sentada esperando morrer. Esperando morrer morrendo, aos poucos. É agoniante. Porque se tem um jeito bem ruim viver, seria assim.

João está em casa, com sua família. Assim como milhares de pessoas estão em casa, sem nenhuma possibilidade terapeutica. De verdade, espero que João se sinta digno. Que se sinta autônomo. Que faça o que quer. Porque todos vamos morrer um dia. Mas ninguem merece morrer morrendo.

para atualizar: João faleceu alguns dias depois desse post. Ele não passou o Natal com a familia, pelo menos não fisicamente. Mas João não estava em condições de continuar sobrevivendo. Porque viver, viver mesmo, João já não estava mais.



22 de setembro de 2013

Pacientes

Uma das coisas mais legais de se fazer Medicina é o contato com vários pacientes. Poder entrar na vida deles, ouvir o que fazem, como se sentem, é algo simplesmente incrível. Conhecer histórias de vida é gratificante. E saber que você pode interferir nessas histórias pode ser assustador. Mas enquanto sou uma mera academica, resta-me colher várias histórias, de várias doenças, de várias pessoas. Nesse 1 ano de ciclo clínico, certamente ouvir histórias muito interessantes. Não, não estou falando da história das doenças, mas da história das pessoas. Melhor ainda, conhecer as pessoas. Então, quero enumerar aqui, algumas das situações mis engraçadas com pacientes mais engraçados que conheci, passei por quase todas com Stephanie, já que a gente sempre colhe anamnese junta :

1. A senhora dos orgasmos

Eu estava no começo do 5o periodo. Precisava colher anamnese (que é a história da doença do paciente) e encontrei essa senhora de 40 e poucos anos internada na Cardio. Ela tinha doença de Chagas e colocaria um marcapasso. Quando eu cheguei na parte em que a gente pergunta sobre hábitos de vida:
" Já sei o que vocês vão me perguntar, sobre sexo. Eu sei que vocês tem que perguntar. Então, até me separar eu só tinha feito com meu marido. Aí, quando eu me separei arrumei um novo namorado. Fiquei com muita vergonha de fazer com ele, e ele foi muito paciente comigo. a gente ia pro motel e eu ficava com vergonha, daí a gente voltava. Quando finalmente a gente fez... eu não sabia que podia ser bom! Depois  tive outros namorados e foi ótimo. Não sei com quantos caras eu fiz depois disso, mas não dá contar. Às vezes era mais de um por dia, eu chegava em casa e outro me ligava. Aí eu ia. Quando eu era casada eu não sabia quanta coisa dava pra fazer. Mas apesar disso tudo eu descobri que nunca tive um orgasmo. Vocês sabem o que orgasmo? Já sentiram?Já?"
Após um momento de silencio (afinal eu estava assustada!) eu falei que não, porque eu sequer tenho um namorado. Na verdade, nada mais disso era importante pra anamnese, mas
"É, muita gente não teve. Eu conversei com outras pessoas e descobrir que, apesar de gostar da coisa, eu nunca tive um. Minha irmã fala umas coisas de um nível que eu não sinto. Acho que não vou sentir mais. Mas se vocês tiverem alguma dúvida quanto a isso, pode perguntar. Às vezes a gente tem duvida e tem que tirar, e fica sem graça de falar com a mãe ou outra pessoa. Mas eu quero ajudar."
O mais interessante foi como a dona M. inverteu o jogo como se ela estivesse cuidando da gente. E como ela falou disso tudo com a maior naturalidade.

2. O ex-travesti

Eu estava na DIP (doenças infecto-parasitárias) quando comecei a colher a historia de A., que era um rapaz que tinha HIV desde que nasceu. Logo, ele era imunossuprimido desde sempre e teve muuuitas doenças na infancia. Mas ele tinha 30 anos. Provavelmente os pais dele foram uns dos primeiros casos de AIDS no Brasil. O cara tinha todo o trejeito GLS. Acabou que na hora em que eu comecei a citar que perguntaria sobre habitos sexuais, ele começou a se soltar sozinho:
" Ah, claro. Então, eu já me envolvi com homem e com mulher. Eu inclusive já fui uma travesti linda. Eu andava na rua e as pessoas falavam 'olha que morena gostosa'. O nome que eu usava era Lana Beatriz. Eu escolhi esse nome quando namorei um francês e ele queria me levar pra França com ele, eu já tinha tirado passaporte e tudo. Na França, eu ia fazer cirurgia pra mudança de sexo. (...) Mas agora eu não sou mais disso, há seis meses eu entrei pra Igreja, desde que minha vó sofreu um AVC. Eu quero que ela seja feliz. Aí entrei pra Igreja e vou casar com uma mulher. Quero levar uma vida direita. (...) Mas quando eu tava no mundo eu gostava daqueles homens fortes, altos, que te jogam na parede e te pegam de jeito.(...) Mas eu saí dessa vida, tô na benção agora."
Desculpa Feliciano, mas tem coisas que não têm cura. Porque não é doença, é jeito de ser. E é pra sempre.

3 . A senhorinha da lista

Essa foi a melhor. Dona E. tinha 60 e poucos anos e estava internada pra operar uma hérnia. Enquanto ela contava sobre os médicos pelos quais passou, relatava o quanto eram bonitos, gentis...
" Vocês namoram com os médicos daqui?"
Contei que não. Esse é o tipo de impressão de Greys Anatomy deixa nas pessoas.
" Pois vocês são tontas. Pois têm uns médicos lindos nesse hospital. eu já tô velha, mas vocês têm que aproveitar. Anota aí (e pegou um papel na bolsa): dr. Fulano atende no ambulatório tal às quintas de manhã. Dr Beltrano atende no ambulatório tal as sextas de manhã. Dr. Cicrano atende às terças à tarde, esse inclusive terminou com a namorada semana passada, porque eu ouvi ele comentando sobre isso com alguém no celular. Se eu fosse você (e aí apontou pra mim) ia nesse. Vai lá, joga os cabelos, joga um charme, garota. É um desperdício estar num lugar desse e não aproveitar."


4 de agosto de 2013

Foragido.

Aconteceu há umas três semanas.

E o problema todo começou depois da festa junina do trabalho de mamãe. É que cada professora ficou com uma barraca na festa junina, e mamãe resolveu escravizar todo o clã Peril-Pereira. Pois é, e estávamos às vésperas da prova de farmacologia. Mas mães são assim, exigem nosso tempo, nossa atenção, nosso carinho, nossa dedicação, nossa alma e nossa maquiagem.

Como mamãe ficou na barraca que "homenageava" o milho, ficamos o sábado todo vendendo angu e milho cozido. Eu não sabia que as pessoas gostavam tanto de angu. Eu achava que essa paixão era coisa de gente pobre que gosta de comida de roça, como eu. Mas não, realmente muita gente. E não é por nada não, mas considerando as habilidades culinárias da minha família, não duvido que estava ótimo. Porque eu não comi, já que deixei para comer depois da festinha e no fim de tudo eu estava enjoada só em pensar em angu. Se vocês ficassem 7 horas seguidas ao lado de panelas de angu e seus molhos entenderiam. Acontece que no fim das contas, papai se empolgou e comeu três pratos CHEIOS de angu. E não foi com a opção "molho saudável de carne moída", foi com a opção "molho maligno com coisinhas suínas".

Partindo do princípio que papai divide a posição de Estomago mais Sensível do Mundo comigo, não tinha como dar em outra. Ele começou a passar mal no dia seguinte, com enjoos, vomitos e muita dor abdominal. Eu falei que deveria ser uma intoxicação, que ele tinha que se hidratar e ter uma alimentação leve pra melhorar. Mas obviamente ele disse que eu estava fazendo pouco caso do mal que o assolava e foi pro hospital na terça feira de manhã, sendo diagnosticado com "nada". Na noite de terça pra quarta ele voltou ao hospital com mamãe, dizendo as dores estavam muito fortes. Papai me ligou às 5 da manhã dizendo que estava no hospital com suspeita de apendicite.

Travei: meu pai tava com apendicite e eu ali, ignorando e dizendo que ele só tinha uma intoxicação alimentar! Me senti uma das piores pessoas do universo, como se eu estivesse ignorando solenemente meu pai com um caso cirurgico de emergencia! Saí de casa correndo pro hospital e chegando lá encontrei papai no soro. Estava esperando trocar o plantão pra fazer a cirurgia. Eu fiquei um tempo com papai, deixei ele lá com mamãe, voltei em casa, falei com Teco e fui  pra faculdade. Às 11hs ligo pra mamãe e ela me diz que os médicos desse plantão não acham que papai tem apendicite e que ele foi submetido a uma segunda tomografia computadorizada. Às 14h ligo pra mamãe e ela me diz que papai  está indo pro centro cirurgico, que eles vão procurar a causa da irritação peritoneal que está causando a dor em papai. Ele estava indo pra uma cirurgia exploratória.

Às 17:30 ligo pra mamãe mais uma vez, quando eu já estava no onibus voltando pra casa. E tudo o que ela me diz é:
mamãe: "Seu pai fugiu do centro cirurgico".
eu: "Como assim?"
mamãe: "Ele teve uma crise nervosa no centro cirurgico e não deixou o anestesista anestesiá-lo, os dois cirurgiões tentaram convencer seu pai, mas não teve jeito. Ele assinou um termo afirmando que saiu do hospital por vontade própria e que não vai fazer cirurgia nenhuma"
eu, já desesperada: "Mãe, passa pra papai! Ele tá maluco? Ele quer morrer?"
mamãe: "Você não vai discutir com seu pai, ele está triste. Estamos indo pra casa, lá a gente conversa."

Coisas que só acontecem na minha família. Pessoas fugirem do centro cirurgico. É claro que eu fiquei em pânico, papai poderia morrer, sei lá o quê ele tinha, não é mesmo? Em casa, papai só chorava e se recusava a voltar ao hospital. Foi a noite inteira todo mundo convencendo papai a voltar ao hospital e, com muito, custo, convencemos ele a voltar ao hospital no dia seguinte. Na manhã seguinte eu acordei e encontrei papai fazendo flexões na sala. Flexões! "Papai, o senhor tá maluco?", "Não, Luma, tô ótimo, olha!"
Fomos pro hospital. O plantonista dessa vez (belo médico, por sinal) viu que papai já não tinha mais nenhuma descompressão dolorosa, viu os exames e tudo o que ele disse foi: "Senhor, seu caso não é cirurgico não! Foi só uma intoxicação alimentar."

Que alívio!Alívio porque a noite anterior havia sido terrível, com medo do que papai poderia ter. Alívio porque ele tava bem (fazendo flexões, quem diria!). Alívio porque meu diagnostico estava certo desde o começo (estudante de medicina feelings).
Alívio de papai porque não tinha ganho uma cicatriz em seu abdome atletico e ninguém tinha roubado um rim seu durante uma cirurgia.
E a partir daí foi uma melhora progressiva de modo que no sábado seguinte papai tava ótimo.

Fala sério, coisas que só acontecem na minha família.


21 de junho de 2013

Peds

7 horas da manhã e eu dormindo no onibus. De repente um bebê começa a chorar. Chorar muito. Chorar muito alto.
"Desisto da pediatria" digo eu.
10 minutos depois o bebê (de mais ou menos uns 2 anos) para de chorar e fala: "Tá, aí vai, a mamãe, a vovó, o neném..." com aquela voz de criança fofa que está aprendendo a falar.
"Retiro o que disse sobre pediatria. Eu quero *-* "

8 de junho de 2013

parecia um ET

Teco: "Mãe, por que os bebês são bonitos? Nascem bonitnhos?"

Mamãe: "Não, nem todos os bebês nascem bonitos"

eu: "alguns nascem horríveis. Ficam bonitinhos depois."

Mamãe: "Teco, você por exemplo nasceu horrível. Horrível mesmo. Parecia um ET. Eu olhava pra você e pensava 'por que meu filho é tão feio?'. Mas os meses passaram e você virou um bebê lindo. Eu não sei como, mas de um ET você virou um bebê lindo."

2 de junho de 2013

Já escolheu?

Papai: "e aí, filha, já escolheu sua especialidade?"
"Não, pai."
Papai: "O que vc acha de cardio?"
"É dificil, é chato."
" Já pensou se vc fosse uma neurocirurgiã?"
Rio alto. "Sem chances, não tenho QI pra isso. E não tenho a menor sensibilidade com movimentos finos, fico tremendo."
"Ortopedia?"
"Pai, eu não sou marceneira. Sou fraquinha, mal consigo abrir latas. Quiçá colocar um braço no lugar."
" Pediatria, filha?" - e agora papai faz a pergunta esperando que eu responda negativamente.
"Eu gosto da pediatria. Mas o problema são os bebês, eu nunca sei o que eles estão sentindo."

E daí eu chego num impasse. Também não gosto de nefrologia, nem de pneumo. E endócrino é dificílimo, e além disso endócrino é uma especialidade feminina, daí minhas colegas de trabalho vão ser magras e elegantes, e minha autoestima vai pro chão. Em neurologia, a maioria dos meus pacientes não vai ter cura. Em reumato também. E nem me venham com a ideia de oncologia, não preciso de mais biologia celular na vida. E não quero passar o resto da vida olhando vaginas, então dispenso gineco.
Oh lord, o que eu farei da vida? Tudo bem que eu ainda tenho mais 3 anos e meio pra escolher mas eu nao quero ser igual aquelas pessoas que só decidem a profissão que querem no dia da inscrição no vestibular.

"Sabe pai, eu gosto de cirurgia plastica reparadora. Acho bonitinho consertar orelhas de abano."
"Menos filha, pra isso tem que saber muito".

19 de maio de 2013

A ligação caiu.

Mamãe tá no telefone com tia Giovana quando de repente a ligação cai.
Mamãe liga de novo:
"A ligação caiu."
E minha tia: "Não, dois moleques me assaltaram. Mas já tá tudo certo, dei umas porradas neles, peguei meu celular e eles foram embora. Pode falar."

13 de maio de 2013

Soy de Bolivia.

Daí que mamãe foi ao dentista no sábado. E voltou sem ter feito o serviço que era pra fazer. E por quê?

"Luma, não tinha como ficar lá. Me jogaram pra uma boliviana. A minha dentista falou que tava sem tempo e me falou que a outra iria me atender. Quando eu olhei aquela carinha latina da mulher pensei logo 'não mesmo'.
- Qual seu nome? - perguntei antes que ela perguntasse o meu.
- Mi nome es Lupita*.
- E de onde você é?
- Sou de Bolivia.
- Estudou lá?
- Estudei lá e aqui. Mas está tudo correcto, tenho permissão para trabajar aqui.


Daí eu lembrei daquilo que você me falou, Luma. Que na Bolivia a faculdade de medicina dura 4 anos e custa 400 reais. E que a maioria nao consegue reavalidar. O que seria da faculdade de odonto então? 18 meses de supletivo? Não, não mesmo, semana que vem eu volto pra minha dentista BRASILEIRA. A que demorou pelo menos 4 anos na faculdade. "

Isso foi mamãe na vibe de ódio a Dilma e os medicos cubanos e descontando na dentista boliviana.

Relaxem, mamis nao é malvada nem preconceituosa ao extremo não, haha. É que a gente tinha conversado sobre isso na sala de espera antes dela entrar no consultorio.

*obviamente a mulher nao se chamava Lupita. Mas eu achei que seria um pseudonimo fantastico. Ah, e segundo mamis, a conversa transcorreu em portunhol mesmo.

ps.: não sei se na Bolivia medicina dura 4 anos e custa 400 reais. a gente tava falando que era tipo isso, mas saber mesmo eu nao sei.

7 de abril de 2013

Arrombamento pela gestalt

Sábado, 06 de abril de 2013.

" Começou pelo telefone. eu estava vindo do centro de Niterói dentro do onibus com ar condicionado que vai pra Maricá porque tinha dado tempo de fazer bilhete único com a van que usei na ida. Fazia muito calor fora do ônibus, mas lá dentro a temperatura estava agradável. 
Estava passando pelo Caramujo, comunidade de Niterói, rumo a minha casa, quando a minha mãe fala comigo pelo  celular 'Você não vai acreditar no que seu irmão fez, foi IN-CRÍ-VEL.' 
Desliguei o telefone e cheguei em casa 15 minutos depois. Entrei pela porta da sala, que estava com o pufe verde atrás e tive que fazer força pra empurrar o pufe verde e a porta abrir. 
Assim que entrei, foi como se eu fosse Nicole Kidman chegando ao Oscar. Mamãe e Teco me cercaram e foram me levando até a porta do quarto dos meus pais, onde eu vi a cena. Vi o objeto, vi as provas. Lá estava, a porta arrombada. 
'O que aconteceu aqui', perguntei. 'O vento que entrou pela janela fez a porta bater com força e maçaneta quebrou. A porta ficou trancada. Seu irmão precisou entrar em ação', respondeu mamãe."
Luma Peril, 20 anos, estudante, vulgo "eu".


" Primeiro fiquei aflita se havia alguém lá dentro, olhei pela fechadura e vi que não. Alívio. Pensei na hora: dívida no chaveiro. Depois pensei que na área de serviço tinha muita roupa pra passar, dava pra sobreviver sem entrar no quarto por uns dias. Ainda bem que o notebook e meus documentos não estavam lá dentro. Quando de repente, não mais do que de repente, lembrei: TODO O MEU MATERIAL PRA PREPARAR AS PROVAS ESTAVA LÁ DENTRO  e  precisava mandar tudo por email para o coordenador ainda esse fim de semana. Entrei em pânico. Peguei duas chaves de fenda. Eu e Teco brigamos sobre quem seria o herói a arrombar a porta com chaves de fenda. Tudo em vão. E Teco falando: 'vou arrebentar'. Eu disse então: 'Calma, moramos em apartamento. Melhor não incomodar a velha do quarto andar(ela é pior que a de Duplex)'. O desespero tomou conta de mim e eu disse: 'Teco, arromba' e instantaneamente tapei os ouvidos. Três pancadas depois a porta abriu."
Luciana Peril, 41 anos, professora, vulgo "mamis".

"Eu estava assistindo The Mentalist no meu quarto quando mamãe me chamou desesperadamente, pois a porta de seu quarto havia sido trancada pela força do vento. Na tentativa de abrí-la, pegamos duas chaves de fenda e começamos a cutucar. Mas não funcionou. Então mamãe me deu o aval para arrombar a porta. Daí, como nas reportagens policiais de Marcelo Rezende (eu ouvi em minha mente a frase "corta pra mim" na voz dele) tive a ideia de arrombar a porta com os pés, como nas cenas de filme policial. No primeiro chute, quase não se mexeu. No segundo, afroxou. No terceiro, acabei com ela. Naquele momento me senti o Jackie Chan do Arsenal. Mas acabei gritando: ' É Zé Pequeno, porra!', porque acho o grito dele enfático."
Marco Antonio, 15 anos, estudante, conhecido como "Teco" ou então "irmão de Luma", que finalmente mostrou que praticar jiujitsu tem alguma utilidade.

"Que merda é essa que fizeram nessa porta?"
Marcos Antonio, 51 anos, autonomo, vulgo "papai".


31 de março de 2013


Quando chega a páscoa é assim. Os coleguinhas rykos ficam postando essas fotos de ovo de páscoa. exaltando minha pobreza, toda a falta de grana que existe entre eu e meus bombons e barras. (relaxem bebes, apesar da pobreza que nos uniu mamãe vos ama).

Já vi de tudo hoje no facebook. Até ovo da Kinder Ovo ( é maxx que se chama?). Sabe, cadê o respseito aos amiguinhos pobres? Cadê? E principalmente, onde esse pessoal tá arrumando dinheiro pra ficar comprando ovo de páscoa? Estão aceitando penhora de rim e/ou córnea e/ou fígado em algum lugar? É sério, tão aceitando?

24 de março de 2013

Camisa Vermelha

Essa semana eu saí de casa com uma blusa vermelha. É a única roupa vermelha que eu tenho, uma blusinha velha e surrada de mangas, que é excelente para ir na padaria em dias de temperatura amena.
Estava eu atravessando a passarela que tem perto da minha casa quando uma senhora de uns 60 anos que eu nunca vi na vida me parou e falou;
"Você está linda com essa blusa."
E eu lancei aquela cara de "o quê?".
E ela: "é, deixou vc bonita, com as bochechas coradinhas."
E eu toda sem graça: "ah, obrigada, rs"

E agora, como faz pra tingir todas as minhas roupas de vermelho?

20 de março de 2013

Pé de balas



Em homenagem ao dia do contador de história, aí vai a história que minha mãe contou pra sua turminha de educação infantil hoje:

" Eu estava na rua e encontrei um papel de bala. Enterrei o papel de bala. Cresceu um pé de balas. Eu colhi as balas e vendi numa barraquinha de doces. Fiquei rica. Coloquei todo o dinheiro numa mala. Mas peguei um ônibus e esqueci minha mala de dinheiro nele. Fiquei pobre de novo."

- Vai trabalhar tia! - aluno da minha mãe que só tem 5 anos e ficou dando conselhos de vida a ela.

Qual parte da história não pode acontecer na vida real?
...
...
Sim, a parte da pessoa rica aceitar o sofrimento de pegar ônibus.
http://3.bp.blogspot.com/_6D8DLcwIUwI/SwrmqNoyAmI/AAAAAAAABxw/9Qsl7kUGK6I/s1600/Natal+ilca+040.jpg
foto roubada de: http://trspedagogascomamor.blogspot.com.br/2009/11/saco-de-panetone-arvore-de-bala-bota-de.html

17 de março de 2013

Sobre o Camaro Amarelo

Nas últimas semanas rodaram pelo facebook várias versões de quadrinhos reclamando que a música do Camaro Amarelo foi eleita melhor do ano por algum lugar. Não sei que concurso foi esse, como eu vi que o Melhores que o Faustão organiza aconteceria por esses tempos, deduzi que deva ser esse. Mas não sei.

O que eu penso é que: por que diabos as pessoas insistem em sempre reclamar, a serem chatas? Por que diabos as pessoas insistem em ser metidas a "sou cult, só ouço rock clássico" e outras coisas do tipo?

Não, não acho que o camaro amarelo foi a melhor música do ano. Não mesmo. Mas eu acho que a gente não pode negar o quanto os seres humanos desse país se divertiram cantando e dançando o Camaro. E mais ainda: que validade tem esse tipo de coisa: ser eleita a melhor música do ano? Sei não, gente, mas acho que quando as pessoas passarem a sorrir mais, brincar mais etc, vão descobrir que viver pode ser mais prazeroso.

E isso fez com que eu parasse pra escrever o que penso há muito tempo sobre todo o discurso "sou intelectual" que vejo por aí. Como quando a música do Michel Teló tava bombando no mundo todo e os brasileiros só sabiam reclamar. Quero dizer, quantos milhões de pessoas não ficaram brincando de dançar o "Ai, se eu te pego" no mundo todo? É feio ver o mundo brincar com uma música?

Acho que músicas não são só pra ser contempladas com coisas "oh, mas que lindo" enquanto as lágrimas descem. Musicas são pra isso também. Músicas são pra muitas coisas. São pra brincar, pra dançar, pra criticar, para se apaixonar, para contemplar. Existe musica pra tudo. Enão é uma coisa mais fofa, engraçada e brincalhona uma música onde um cara tira onda com a menina que deu fora nele porque ele não tinha carro? e que agora ele se vinga e esfrega na cara dela que agora que tem um camaro amarelo vai ignorá-la? Ou então crianças dançando "eu quero tchu... eu quero tcha..." . Qual o problema das crianças dançarem o tchu-tcha? Qual, Jesus amado?

 E já que eu tô nessa vibe desse discurso, essa semana também rodou por aí um vídeo onde um cara é entrevistado pelo repórter do BBB, e depois faz um grande discurso que "BBB é o fim da humanidade". Eu não vejo Big Brother. Mas porque eu não tenho vontade de ver, tenho sono e prefiro fazer outras coisas. E daí todo mundo começou a compartilhar a porcaria do vídeo. Será que eu sou a única alma na face da Terra que acha que a melhor frase do vídeo foi quando o repórter respondeu: "É só você trocar de canal". E por qual razão, motivo, circunstancia, as pessoas que ficavam compartilhando isso eram majoritariamente telespectadores do programa já citado? Eu não gosto, troco de canal, vou ler, estudar, dormir, vou pra internet... tem TANTA coisa pra fazer! Deixa quem quer assistir fazê-lo. Sabe, quando a pessoa vai assistir a um programa de tv, eu acho que ela pode se dar ao luxo de ver qualquer porcaria que queira. Desde que isso não coloque uma mensagem subliminar "mate pessoas" na cabeça da população, é claro. As pessoas estão muito preocupadas em ser metidas a cult, mal sabem elas que pessoas excessivamente intelectuais acabam sendo chatas.

Sabe, eu gosto do Camaro Amarelo. E dancei muito "Ai, se eu te pego". E eu amo Paola Bracho. E via Avenida Brasil, gamava na "divês" de Carminha. Eu vejo Glee. E eu não apenas acho, mas tenho certeza que esse tipo de coisa não faz de mim uma pessoa estúpida.




16 de março de 2013

EsAOM



A historia abaixo é baseada em fatos reais. Não é 100% real, mas uns 95%, sabe como é, tem que ter um apelo dramatico. E a testemunha não lembra de tudo nos mínimos detalhes. não que estivesse alcoolizada, inshalá. Apenas ela alega que estava com sono. Os nomes obviamente são fictícios.

Um grupo de 7 amigos, jovens por volta dos 20 anos, estão reunidos na varanda da casa de um deles, às 3 da manhã, após uma festa. Um dos rapazes, Juscelino,bastante alcoolizado, diz:

- Então, quando vocês estiverem perdidos, usem o EsAOM.

Marco Aurélio faz cara de confuso e fala: " EsAOM?"

- É, EsAOM. - Juscelino prossegue. - Você está perdido, daí tem que usar.

- Mas ninguém está perdido. - diz Juremilda.

- Mas quando vocês ficarem perdidos vai ser útil. - prossegue Juscelino - A primeira coisa é Estacionar. Vocês precisam parar, não ficar mais se perdendo.

Todos fazem cara de "prossiga!", que é o que Juscelino faz:

- Após Estacionar, você tem que se Alimentar. Você precisa se Alimentar para ter condições de resolver o problema. Daí, após se Alimentar, você precisa se Orientar.

Murialdo pergunta em voz baixa: - E de Estacionar. A de Alimentar. E o S?

Marco Aurélio responde: - O S é minúsculo, faz parte de Estacionar.

Murialdo: - Mas qual a importância do s de Estacionar? Qual a importância desse  s? EsAOM soa melhor que EAOM?

Marco Aurélio: - E eu que vou saber?

Juscelino então prossegue, ignorando a conversa dos amigos: - Então, agora Alimentados, vocês são pegar a sua bússola e se Orientar, ver pra onde fica o norte, e então...

Margarilde pergunta: - Peraí, o que eu vou comer para me alimentar? Eu tenho que procurar um restaurante, uma lanchonete? Porque eu não como comida na rua. Só a da minha mãe. E se tiver sido feita na hora. Ou então eu posso comprar um Doritos. Eu gosto de Doritos. Ei, eu preciso carregar um Doritos na bolsa?

Juscelino: - Na verdade, você vai estar perdida na floresta, você come o que tiver.

Margarilde, cheia de ironia: - Claro, vou comer uma frutinha maligna igual a de "A lagoa azul".

Juscelino continua: - E aí, quando você estiver perdido na floresta...

TCNEMLPTP (testemunha cujo nome é muito lindo para ter pseudonimo) : - E por que diabos eu estaria andando numa floresta?

Juscelino: Então, nessa hora vocês vão se Orientar, pegar a bússola e...

TCNEMLPTP: - E por qual motivo, razão, circunstancia, eu estaria andando sozinha na floresta? Com doritos na bolsa? Com uma bússola? Em pleno século XXI?

Juscelino: Vocês vão pegar a bússola, se orientar para o norte e então seguir, se Movimentar, pois assim não andarão em círculos.

Elvira, a caçula e mais ingênua do grupo, com cara de quem descobriu a cura da AIDS: - Ah, agora eu entendi! EsAOM é uma sigla, certo?









8 de março de 2013

Hey seres humanos!

primeiro de tudo, e com algumas semanas de atraso: OBRIGADA PELAS 25.000 VISUALIZAÇÕES DE PÁGINA!

 Sério, como agradecer isso? eu quase nunca tenho tempo de postar, em muitos posts uso o blog mais pra ficar perturbando os outros com meus problemas do que fazê-los mais felizes, e mesmo assim continuo recebendo visitas. cara, isso é INCRÍVEL!
Tá, a maioria dessas visualizações são de pessoas que caíram no blog por acaso e logo em seguida saíram, sem ler nada. Mas algumas leem, até comentam, e isso me faz MUITO FELIZ.

Esse fim de período em começo de ano (greve, eu te odeio), foi muito, muitíssimo exaustivo. E por isso eu me afastei do blog, fiquei sem postar. além disso, vou ser sincera, às vezes eu quero falar alguma coisa e acabo colocando no facebook. Mas relaxa, que no fb eu não coloco nada sobre grandes lições de vida, o quanto a vida é difícil, o quanto as pessoas me odeiasm... Porque isso é um saco. E "lições de vida" são controversas entre si, e ninguém me odeia ou tem inveja de mim - eu não vejo razão pra isso - e se tivesse eu não tô nem aí. Tenho contas pra pegar, disciplinas pra estudar e engarrafamento pra pegar. Não dá tempo de me preocupar com coisas bobas.

e o quê comentar agora? Só dei sinal de vida e não consigo pensar em nada pra contar. Nada muito legal. Vou pensar. Semana que vem, se com a glória de Deus Pai eu não ficar de prova final em nada, procuro vir aqui e comentar algo. é porque as coisas acontecem mas... se eu não posto logo depois fica sem graça de postar.

beijos, a gente se fala.

28 de janeiro de 2013

Minhas 10 ideias

Esse blog tá super abandonado, eu sei. A faculdade está me sugando. Acho que só não choro de desespero porque eu tô com sono demais, cansada demais pra gastar energias com movimentos faciais.

Mas eu preciso fazer uma coisa, e não posso adiar, é arriscado.

Ontem, quando eu soube da partida daqueles mais de 200 jovens, que assim como eu, eram universitários e gostavam de se divertir e que "teriam um futuro inteiro pela frente", eu pensei: " e se eu morrer"?

Porque agora eu tô bem, alegre, comprando roupa no cartão de crédito. Mas só Deus sabe como vou estar amanhã ou depois, então eu quero deixar algumas coisas esclarecidas. Bem esclarecidas.

Quando eu morrer, eu não quero que ninguém trave a vida. Eu posso morrer com 30 ou 105 anos, não sei. Mas não quero ninguém travando a vida por minha causa. Eu sou alegre, brincalhona. No dia em que eu partir, não vai ser diferente. Eu vou ter ido pra outro lugar. Eu acho que tem vida depois daqui, ou seria muita sacanagem tanto esforço aqui pra nada. Mas pra quem não acredita nisso de ir pra outro lugar, pensem que um pessoa está viva quando suas ideias estão vivas. Por exemplo, quando a gente passa embaixo da Perimetral e vê "Gentileza gera Gentileza" nas pilastras o poeta Gentileza e sua família (cuja morte o inspirou) estão vivos.

roubada de http://oimpressionista.files.wordpress.com/2006/06/03.jpg

 Então, no dia que meu cérebro parar de funcionar deixem as ideias dele funcionando. E as ideias são:


1. Eu acredito na bondade das pessoas. Quando a gente acredita na bondade das pessoas, elas tendem a ser melhores. Experimente.

2. Doem-me toda. Se meus órgãos, minha pele, meu sangue, meus ossos não servirem pra outras pessoas vivas, que sejam enviados para pesquisas. Não faço questão de ser enterrada. O mercado imobiliário está em alta, não quero ninguém desperdiçando espaço comigo. Não quero.

3. Brinquem o tempo todo, mas sem ferir os sentimentos dos outros. É bom brincar. Contem piadas, deem risadas. Andem de patins ( eu nunca andei! - vou fazer isso!), de bicicleta, de skate. Andem cantando nas ruas, dancem sem ter vergonha de serem felizes.

4. Não tomem Tang. Aquilo faz mal. Mal por mal é melhor tomar guaraná mesmo.

5. Não fiquem mais de 4 horas sem comer e/ou mais de 2 horas sem beber nada. Dá mau-hálito. Pior, hálito fecal. É sério, eu aprendi na faculdade. E ninguém merece mau-hálito.

6. Ajude os outros, mas sem se prejudicar. Não seja competitivo, mas sim justo.

7. Assistam Glee. E The Big Bang Theory. E How I met your Mother. E principalmente Dexter.

8. Comam bolo quente, de preferencia feito com bastante margarina na receita. É uma delícia. Nunca me deu dor de barriga. Desconfio que seja tudo mito.

9. Doem meu Littman pra algum acadêmico de medicina ferrado.

10. Principalmente: NÃO DESISTA DOS SEUS SONHOS, AO CONTRARIO, ALIMENTE-OS. E ALIMENTE OS SONHOS DOS OUTROS TAMBÉM. A BUSCA HONESTA PELOS SONHOS FAZ DE NÓS PESSOAS MELHORES. E PESSOAS MELHORES FAZEM UM MUNDO MELHOR.

Essas são as minhas lições. No dia que perder alguém (não é praga, todos nós passamos por isso) pense nos mandamentos dessa pessoa e pratique-os, espalhe-os. Das, duas, pelo menos uma: ou essa pessoa se manterá viva porque suas ideias estão vivas e/ou ela estará muito feliz em sua nova morada.

beijos

http://files.yabadabadooeventos.webnode.com.br/200010595-65d9766d36/surpresa.gif , foto roubada na mão grande.

p.s.: mãe, eu sei que a senhora vai ler isso. antes que implique. Não, eu não estou chamando desgraça. Estou falando de uma coisa normal pela qual todos nós vamos passar. Eu só quis avisar logo ao mundo sobre as ideias que eu quero que mantenham vivas quando eu não puder mais fazer isso, que pode ser daqui a 100 anos. Só isso. não é nada traumatico.