19 de maio de 2013

A ligação caiu.

Mamãe tá no telefone com tia Giovana quando de repente a ligação cai.
Mamãe liga de novo:
"A ligação caiu."
E minha tia: "Não, dois moleques me assaltaram. Mas já tá tudo certo, dei umas porradas neles, peguei meu celular e eles foram embora. Pode falar."

13 de maio de 2013

Soy de Bolivia.

Daí que mamãe foi ao dentista no sábado. E voltou sem ter feito o serviço que era pra fazer. E por quê?

"Luma, não tinha como ficar lá. Me jogaram pra uma boliviana. A minha dentista falou que tava sem tempo e me falou que a outra iria me atender. Quando eu olhei aquela carinha latina da mulher pensei logo 'não mesmo'.
- Qual seu nome? - perguntei antes que ela perguntasse o meu.
- Mi nome es Lupita*.
- E de onde você é?
- Sou de Bolivia.
- Estudou lá?
- Estudei lá e aqui. Mas está tudo correcto, tenho permissão para trabajar aqui.


Daí eu lembrei daquilo que você me falou, Luma. Que na Bolivia a faculdade de medicina dura 4 anos e custa 400 reais. E que a maioria nao consegue reavalidar. O que seria da faculdade de odonto então? 18 meses de supletivo? Não, não mesmo, semana que vem eu volto pra minha dentista BRASILEIRA. A que demorou pelo menos 4 anos na faculdade. "

Isso foi mamãe na vibe de ódio a Dilma e os medicos cubanos e descontando na dentista boliviana.

Relaxem, mamis nao é malvada nem preconceituosa ao extremo não, haha. É que a gente tinha conversado sobre isso na sala de espera antes dela entrar no consultorio.

*obviamente a mulher nao se chamava Lupita. Mas eu achei que seria um pseudonimo fantastico. Ah, e segundo mamis, a conversa transcorreu em portunhol mesmo.

ps.: não sei se na Bolivia medicina dura 4 anos e custa 400 reais. a gente tava falando que era tipo isso, mas saber mesmo eu nao sei.

7 de abril de 2013

Arrombamento pela gestalt

Sábado, 06 de abril de 2013.

" Começou pelo telefone. eu estava vindo do centro de Niterói dentro do onibus com ar condicionado que vai pra Maricá porque tinha dado tempo de fazer bilhete único com a van que usei na ida. Fazia muito calor fora do ônibus, mas lá dentro a temperatura estava agradável. 
Estava passando pelo Caramujo, comunidade de Niterói, rumo a minha casa, quando a minha mãe fala comigo pelo  celular 'Você não vai acreditar no que seu irmão fez, foi IN-CRÍ-VEL.' 
Desliguei o telefone e cheguei em casa 15 minutos depois. Entrei pela porta da sala, que estava com o pufe verde atrás e tive que fazer força pra empurrar o pufe verde e a porta abrir. 
Assim que entrei, foi como se eu fosse Nicole Kidman chegando ao Oscar. Mamãe e Teco me cercaram e foram me levando até a porta do quarto dos meus pais, onde eu vi a cena. Vi o objeto, vi as provas. Lá estava, a porta arrombada. 
'O que aconteceu aqui', perguntei. 'O vento que entrou pela janela fez a porta bater com força e maçaneta quebrou. A porta ficou trancada. Seu irmão precisou entrar em ação', respondeu mamãe."
Luma Peril, 20 anos, estudante, vulgo "eu".


" Primeiro fiquei aflita se havia alguém lá dentro, olhei pela fechadura e vi que não. Alívio. Pensei na hora: dívida no chaveiro. Depois pensei que na área de serviço tinha muita roupa pra passar, dava pra sobreviver sem entrar no quarto por uns dias. Ainda bem que o notebook e meus documentos não estavam lá dentro. Quando de repente, não mais do que de repente, lembrei: TODO O MEU MATERIAL PRA PREPARAR AS PROVAS ESTAVA LÁ DENTRO  e  precisava mandar tudo por email para o coordenador ainda esse fim de semana. Entrei em pânico. Peguei duas chaves de fenda. Eu e Teco brigamos sobre quem seria o herói a arrombar a porta com chaves de fenda. Tudo em vão. E Teco falando: 'vou arrebentar'. Eu disse então: 'Calma, moramos em apartamento. Melhor não incomodar a velha do quarto andar(ela é pior que a de Duplex)'. O desespero tomou conta de mim e eu disse: 'Teco, arromba' e instantaneamente tapei os ouvidos. Três pancadas depois a porta abriu."
Luciana Peril, 41 anos, professora, vulgo "mamis".

"Eu estava assistindo The Mentalist no meu quarto quando mamãe me chamou desesperadamente, pois a porta de seu quarto havia sido trancada pela força do vento. Na tentativa de abrí-la, pegamos duas chaves de fenda e começamos a cutucar. Mas não funcionou. Então mamãe me deu o aval para arrombar a porta. Daí, como nas reportagens policiais de Marcelo Rezende (eu ouvi em minha mente a frase "corta pra mim" na voz dele) tive a ideia de arrombar a porta com os pés, como nas cenas de filme policial. No primeiro chute, quase não se mexeu. No segundo, afroxou. No terceiro, acabei com ela. Naquele momento me senti o Jackie Chan do Arsenal. Mas acabei gritando: ' É Zé Pequeno, porra!', porque acho o grito dele enfático."
Marco Antonio, 15 anos, estudante, conhecido como "Teco" ou então "irmão de Luma", que finalmente mostrou que praticar jiujitsu tem alguma utilidade.

"Que merda é essa que fizeram nessa porta?"
Marcos Antonio, 51 anos, autonomo, vulgo "papai".


31 de março de 2013


Quando chega a páscoa é assim. Os coleguinhas rykos ficam postando essas fotos de ovo de páscoa. exaltando minha pobreza, toda a falta de grana que existe entre eu e meus bombons e barras. (relaxem bebes, apesar da pobreza que nos uniu mamãe vos ama).

Já vi de tudo hoje no facebook. Até ovo da Kinder Ovo ( é maxx que se chama?). Sabe, cadê o respseito aos amiguinhos pobres? Cadê? E principalmente, onde esse pessoal tá arrumando dinheiro pra ficar comprando ovo de páscoa? Estão aceitando penhora de rim e/ou córnea e/ou fígado em algum lugar? É sério, tão aceitando?

24 de março de 2013

Camisa Vermelha

Essa semana eu saí de casa com uma blusa vermelha. É a única roupa vermelha que eu tenho, uma blusinha velha e surrada de mangas, que é excelente para ir na padaria em dias de temperatura amena.
Estava eu atravessando a passarela que tem perto da minha casa quando uma senhora de uns 60 anos que eu nunca vi na vida me parou e falou;
"Você está linda com essa blusa."
E eu lancei aquela cara de "o quê?".
E ela: "é, deixou vc bonita, com as bochechas coradinhas."
E eu toda sem graça: "ah, obrigada, rs"

E agora, como faz pra tingir todas as minhas roupas de vermelho?

19 de maio de 2013

A ligação caiu.

Mamãe tá no telefone com tia Giovana quando de repente a ligação cai.
Mamãe liga de novo:
"A ligação caiu."
E minha tia: "Não, dois moleques me assaltaram. Mas já tá tudo certo, dei umas porradas neles, peguei meu celular e eles foram embora. Pode falar."

13 de maio de 2013

Soy de Bolivia.

Daí que mamãe foi ao dentista no sábado. E voltou sem ter feito o serviço que era pra fazer. E por quê?

"Luma, não tinha como ficar lá. Me jogaram pra uma boliviana. A minha dentista falou que tava sem tempo e me falou que a outra iria me atender. Quando eu olhei aquela carinha latina da mulher pensei logo 'não mesmo'.
- Qual seu nome? - perguntei antes que ela perguntasse o meu.
- Mi nome es Lupita*.
- E de onde você é?
- Sou de Bolivia.
- Estudou lá?
- Estudei lá e aqui. Mas está tudo correcto, tenho permissão para trabajar aqui.


Daí eu lembrei daquilo que você me falou, Luma. Que na Bolivia a faculdade de medicina dura 4 anos e custa 400 reais. E que a maioria nao consegue reavalidar. O que seria da faculdade de odonto então? 18 meses de supletivo? Não, não mesmo, semana que vem eu volto pra minha dentista BRASILEIRA. A que demorou pelo menos 4 anos na faculdade. "

Isso foi mamãe na vibe de ódio a Dilma e os medicos cubanos e descontando na dentista boliviana.

Relaxem, mamis nao é malvada nem preconceituosa ao extremo não, haha. É que a gente tinha conversado sobre isso na sala de espera antes dela entrar no consultorio.

*obviamente a mulher nao se chamava Lupita. Mas eu achei que seria um pseudonimo fantastico. Ah, e segundo mamis, a conversa transcorreu em portunhol mesmo.

ps.: não sei se na Bolivia medicina dura 4 anos e custa 400 reais. a gente tava falando que era tipo isso, mas saber mesmo eu nao sei.

7 de abril de 2013

Arrombamento pela gestalt

Sábado, 06 de abril de 2013.

" Começou pelo telefone. eu estava vindo do centro de Niterói dentro do onibus com ar condicionado que vai pra Maricá porque tinha dado tempo de fazer bilhete único com a van que usei na ida. Fazia muito calor fora do ônibus, mas lá dentro a temperatura estava agradável. 
Estava passando pelo Caramujo, comunidade de Niterói, rumo a minha casa, quando a minha mãe fala comigo pelo  celular 'Você não vai acreditar no que seu irmão fez, foi IN-CRÍ-VEL.' 
Desliguei o telefone e cheguei em casa 15 minutos depois. Entrei pela porta da sala, que estava com o pufe verde atrás e tive que fazer força pra empurrar o pufe verde e a porta abrir. 
Assim que entrei, foi como se eu fosse Nicole Kidman chegando ao Oscar. Mamãe e Teco me cercaram e foram me levando até a porta do quarto dos meus pais, onde eu vi a cena. Vi o objeto, vi as provas. Lá estava, a porta arrombada. 
'O que aconteceu aqui', perguntei. 'O vento que entrou pela janela fez a porta bater com força e maçaneta quebrou. A porta ficou trancada. Seu irmão precisou entrar em ação', respondeu mamãe."
Luma Peril, 20 anos, estudante, vulgo "eu".


" Primeiro fiquei aflita se havia alguém lá dentro, olhei pela fechadura e vi que não. Alívio. Pensei na hora: dívida no chaveiro. Depois pensei que na área de serviço tinha muita roupa pra passar, dava pra sobreviver sem entrar no quarto por uns dias. Ainda bem que o notebook e meus documentos não estavam lá dentro. Quando de repente, não mais do que de repente, lembrei: TODO O MEU MATERIAL PRA PREPARAR AS PROVAS ESTAVA LÁ DENTRO  e  precisava mandar tudo por email para o coordenador ainda esse fim de semana. Entrei em pânico. Peguei duas chaves de fenda. Eu e Teco brigamos sobre quem seria o herói a arrombar a porta com chaves de fenda. Tudo em vão. E Teco falando: 'vou arrebentar'. Eu disse então: 'Calma, moramos em apartamento. Melhor não incomodar a velha do quarto andar(ela é pior que a de Duplex)'. O desespero tomou conta de mim e eu disse: 'Teco, arromba' e instantaneamente tapei os ouvidos. Três pancadas depois a porta abriu."
Luciana Peril, 41 anos, professora, vulgo "mamis".

"Eu estava assistindo The Mentalist no meu quarto quando mamãe me chamou desesperadamente, pois a porta de seu quarto havia sido trancada pela força do vento. Na tentativa de abrí-la, pegamos duas chaves de fenda e começamos a cutucar. Mas não funcionou. Então mamãe me deu o aval para arrombar a porta. Daí, como nas reportagens policiais de Marcelo Rezende (eu ouvi em minha mente a frase "corta pra mim" na voz dele) tive a ideia de arrombar a porta com os pés, como nas cenas de filme policial. No primeiro chute, quase não se mexeu. No segundo, afroxou. No terceiro, acabei com ela. Naquele momento me senti o Jackie Chan do Arsenal. Mas acabei gritando: ' É Zé Pequeno, porra!', porque acho o grito dele enfático."
Marco Antonio, 15 anos, estudante, conhecido como "Teco" ou então "irmão de Luma", que finalmente mostrou que praticar jiujitsu tem alguma utilidade.

"Que merda é essa que fizeram nessa porta?"
Marcos Antonio, 51 anos, autonomo, vulgo "papai".


31 de março de 2013


Quando chega a páscoa é assim. Os coleguinhas rykos ficam postando essas fotos de ovo de páscoa. exaltando minha pobreza, toda a falta de grana que existe entre eu e meus bombons e barras. (relaxem bebes, apesar da pobreza que nos uniu mamãe vos ama).

Já vi de tudo hoje no facebook. Até ovo da Kinder Ovo ( é maxx que se chama?). Sabe, cadê o respseito aos amiguinhos pobres? Cadê? E principalmente, onde esse pessoal tá arrumando dinheiro pra ficar comprando ovo de páscoa? Estão aceitando penhora de rim e/ou córnea e/ou fígado em algum lugar? É sério, tão aceitando?

24 de março de 2013

Camisa Vermelha

Essa semana eu saí de casa com uma blusa vermelha. É a única roupa vermelha que eu tenho, uma blusinha velha e surrada de mangas, que é excelente para ir na padaria em dias de temperatura amena.
Estava eu atravessando a passarela que tem perto da minha casa quando uma senhora de uns 60 anos que eu nunca vi na vida me parou e falou;
"Você está linda com essa blusa."
E eu lancei aquela cara de "o quê?".
E ela: "é, deixou vc bonita, com as bochechas coradinhas."
E eu toda sem graça: "ah, obrigada, rs"

E agora, como faz pra tingir todas as minhas roupas de vermelho?