28 de novembro de 2010

Cada pessoa tem um sonho para quando fizer 18 anos. Alguns pensam em ir a uma boate com entrada só para maiores, outros sonham em dirigir. Mas eu, como típica criatura anormal, sonhava outra coisa. Sim, doar sangue.

O fato é que desde que eu soube que sangue era algo "doável", em algum momento remoto de minha infância, eu quis doar. Acho que é muito importante. Afinal, quantas pessoas não estão precisando dele todos os dias?

Pois então que, após completar 18 anos dia 21, eu fui ontem no Hemonit (no Hospital Universitário Antonio Pedro). E, é claro, praticamente obriguei a minha mãe a ir comigo. No começo ela não quis ir, ficou dizendo que não suporta agulha etc. Mas aí foi só eu comentar como receber sangue ajudou a vovó quando ela esteve doente, que mamãe acabou indo comigo.

Cheguei lá no hospital, preenchi meu cadastro. Gente, é incrível como eu me senti santa, pura e incrivelmente saudável ao preencher aquele formulário. Usa drogas? Não. Tem AIDS, sífilis, gonorréia, hepatite? Não. Quantos parceiros sexuais? Nenhum. Faz programa? NÃO!

Depois fui pra triagem, uma rápida entrevista e ganhei uma camiseta com a frase: "Dou meu sangue por você". Pois é, literalmente. É importante frisar algo pra vocês. Não dói. É sério. Embora ao olhar para a agulha (que é diferente da dos exames de sangue) você já sentir dor, na hora em que fura sua veia, não dói. Quero dizer, você sente uma picadinha, mas é de leve, rápido, e vale super a pena.
Só é meio estranho quando você vê quase meio litro de sangue( tipo, seu sangue, que você nutriu com muito arroz e feijão) sair de você. Depois, sabe o tal lanchinho feito no final? Pois é, sente o "lanchinho":
- um pão frânces com queijo e presunto
- um suco em caixinha
- um pacote pequeno de torrada integral Bauducco
- um pacote pequeno com biscoito salgado(aqueles que parecem palitinho) Bauducco
- uma maçã
- uma banana
- um bombom Garoto.

Ou seja, eles se esforçam para que você nunca fique abaixo dos 50 kg e deixe de doar, só pode.

Entretanto, eu fiz uma burrada. Tipo, sabe pessoas bem jegues? Foi o que eu fui. Porque depois de disponibilizar o meu lindo líquido vermelhinho cheio de hemoglobina( que devia estar ligado a H+ já que era uma veia das que transportam sangue venoso - viu, tô estudando biologia rapá!) eu inventei de ir ho hospital ao centro de Niterói a pé. Num sol quente. Vestindo a blusa quente demais Dou meu sangue por você.

Não podia ser diferente. Quando mamãe parou numa farmácia, comecei a ver tudo embaçado e a ouvir zumbidos e a ficar tonta. Imbecil que eu sou. Com 400ml de sangue a menos e andando por aí no sol quente ao meio-dia. Burra. Muito burra.

O pessoal da farmácia deve ter achado que éramos, sei lá, golpistas. Quero dizer, uma mulher de 39 anos e a filha de 18 entram numa farmácia com blusa Dou meu sangue por você e começam a passar mal? Só pode ter algo de errado. Mas fiquem tranquilos. Eu sentei, coloquei a cabeça entre os joelhos e tudo voltou ao normal. Ou seja, doar sangue não faz mal, o que faz mal é ser energúmena o suficiente para forçar a barra depois.

Por isso eu quero fazer um pedido a vocês. Doem sangue. Mesmo. É muito importante. Tem muita gente precisando e poucos ajudando. Você, entre 18 e 65 anos, com boa saúde e mais de 50kg, pode ajudar a salvar vidas em um gesto que dura menos de meia hora.

Também perguntei a mulher no Hemonit sobre a doação de medula. Ela me disse que isso é só no Rio que dá pra se cadastrar. Eu fiquei até meio desestimulada. Só o povo de Niterói e São Gonçalo reconhece a preguiça que dá de atravessar a Ponte.

Entretanto, quando eu estava voltando pra casa, vi um menininha do terminal rodoviário que parecia estar fazendo quimioterapia, pois estava com algumas bandagens(é assim que se fala?) no corpo, não tinha cabelos  ou sobrancelha. Aquela menina e muitas outras crianças podem estar precisando de um doador compatível. Você, que está lendo isso aqui pode ser compatível, e pode salvar a vida dela e de outras pessoas. Então, por que está perdendo tempo? Eu senti a presença daquela menina como um sinal e vou no Hemorio ou no INCA o mais breve possível.

beijos, fiquem com papai do céu =)

3 comentários:

  1. Que lindo a sua atitude, Luma!
    Também sempre quis doar meu sangue, mas pequenininha do jeito que sou, não tenho 50kg nem aqui nem na China!
    Só me resta esperar.
    Beijos, Querida.
    Tenha lindos dias.

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  2. Eu também sempre tive esse sonho de doar sangue aos 18 anos. Mas AINDA não posso, só dia 1º de maio... mas como é feriado, e a propósito, infelizmente cai no domingo, o farei dia 2 de maio.
    Além disso, queria elogiar essa minha amiga, futura médica, pelo seu maravilhoso dom da escrita.
    Adoro todos os seus textos que leio! Sempre tem uma leve pitada de humor, mas não deixando de passar uma bonita lição de vida! Te admiro demaais, viu Luma?
    bjoo ;*

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  3. Luma, quero ser como você quando crescer! E com certeza vou doar sangue. Isso já está nos meus planos de 18 anos.
    Beijos, saudades!

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28 de novembro de 2010

Cada pessoa tem um sonho para quando fizer 18 anos. Alguns pensam em ir a uma boate com entrada só para maiores, outros sonham em dirigir. Mas eu, como típica criatura anormal, sonhava outra coisa. Sim, doar sangue.

O fato é que desde que eu soube que sangue era algo "doável", em algum momento remoto de minha infância, eu quis doar. Acho que é muito importante. Afinal, quantas pessoas não estão precisando dele todos os dias?

Pois então que, após completar 18 anos dia 21, eu fui ontem no Hemonit (no Hospital Universitário Antonio Pedro). E, é claro, praticamente obriguei a minha mãe a ir comigo. No começo ela não quis ir, ficou dizendo que não suporta agulha etc. Mas aí foi só eu comentar como receber sangue ajudou a vovó quando ela esteve doente, que mamãe acabou indo comigo.

Cheguei lá no hospital, preenchi meu cadastro. Gente, é incrível como eu me senti santa, pura e incrivelmente saudável ao preencher aquele formulário. Usa drogas? Não. Tem AIDS, sífilis, gonorréia, hepatite? Não. Quantos parceiros sexuais? Nenhum. Faz programa? NÃO!

Depois fui pra triagem, uma rápida entrevista e ganhei uma camiseta com a frase: "Dou meu sangue por você". Pois é, literalmente. É importante frisar algo pra vocês. Não dói. É sério. Embora ao olhar para a agulha (que é diferente da dos exames de sangue) você já sentir dor, na hora em que fura sua veia, não dói. Quero dizer, você sente uma picadinha, mas é de leve, rápido, e vale super a pena.
Só é meio estranho quando você vê quase meio litro de sangue( tipo, seu sangue, que você nutriu com muito arroz e feijão) sair de você. Depois, sabe o tal lanchinho feito no final? Pois é, sente o "lanchinho":
- um pão frânces com queijo e presunto
- um suco em caixinha
- um pacote pequeno de torrada integral Bauducco
- um pacote pequeno com biscoito salgado(aqueles que parecem palitinho) Bauducco
- uma maçã
- uma banana
- um bombom Garoto.

Ou seja, eles se esforçam para que você nunca fique abaixo dos 50 kg e deixe de doar, só pode.

Entretanto, eu fiz uma burrada. Tipo, sabe pessoas bem jegues? Foi o que eu fui. Porque depois de disponibilizar o meu lindo líquido vermelhinho cheio de hemoglobina( que devia estar ligado a H+ já que era uma veia das que transportam sangue venoso - viu, tô estudando biologia rapá!) eu inventei de ir ho hospital ao centro de Niterói a pé. Num sol quente. Vestindo a blusa quente demais Dou meu sangue por você.

Não podia ser diferente. Quando mamãe parou numa farmácia, comecei a ver tudo embaçado e a ouvir zumbidos e a ficar tonta. Imbecil que eu sou. Com 400ml de sangue a menos e andando por aí no sol quente ao meio-dia. Burra. Muito burra.

O pessoal da farmácia deve ter achado que éramos, sei lá, golpistas. Quero dizer, uma mulher de 39 anos e a filha de 18 entram numa farmácia com blusa Dou meu sangue por você e começam a passar mal? Só pode ter algo de errado. Mas fiquem tranquilos. Eu sentei, coloquei a cabeça entre os joelhos e tudo voltou ao normal. Ou seja, doar sangue não faz mal, o que faz mal é ser energúmena o suficiente para forçar a barra depois.

Por isso eu quero fazer um pedido a vocês. Doem sangue. Mesmo. É muito importante. Tem muita gente precisando e poucos ajudando. Você, entre 18 e 65 anos, com boa saúde e mais de 50kg, pode ajudar a salvar vidas em um gesto que dura menos de meia hora.

Também perguntei a mulher no Hemonit sobre a doação de medula. Ela me disse que isso é só no Rio que dá pra se cadastrar. Eu fiquei até meio desestimulada. Só o povo de Niterói e São Gonçalo reconhece a preguiça que dá de atravessar a Ponte.

Entretanto, quando eu estava voltando pra casa, vi um menininha do terminal rodoviário que parecia estar fazendo quimioterapia, pois estava com algumas bandagens(é assim que se fala?) no corpo, não tinha cabelos  ou sobrancelha. Aquela menina e muitas outras crianças podem estar precisando de um doador compatível. Você, que está lendo isso aqui pode ser compatível, e pode salvar a vida dela e de outras pessoas. Então, por que está perdendo tempo? Eu senti a presença daquela menina como um sinal e vou no Hemorio ou no INCA o mais breve possível.

beijos, fiquem com papai do céu =)

3 comentários:

  1. Que lindo a sua atitude, Luma!
    Também sempre quis doar meu sangue, mas pequenininha do jeito que sou, não tenho 50kg nem aqui nem na China!
    Só me resta esperar.
    Beijos, Querida.
    Tenha lindos dias.

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  2. Eu também sempre tive esse sonho de doar sangue aos 18 anos. Mas AINDA não posso, só dia 1º de maio... mas como é feriado, e a propósito, infelizmente cai no domingo, o farei dia 2 de maio.
    Além disso, queria elogiar essa minha amiga, futura médica, pelo seu maravilhoso dom da escrita.
    Adoro todos os seus textos que leio! Sempre tem uma leve pitada de humor, mas não deixando de passar uma bonita lição de vida! Te admiro demaais, viu Luma?
    bjoo ;*

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  3. Luma, quero ser como você quando crescer! E com certeza vou doar sangue. Isso já está nos meus planos de 18 anos.
    Beijos, saudades!

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