1 de abril de 2012

There is love

Como meus leitores bem devem saber, eu sou um ser humano de vida amorosa praticamente inexistente. Isso não me preocupa, porque entrar em um relacionamento pode me levar a me apaixonar pelo cara, o que causará um sério problema daqui a 10 anos, quando eu casar com o príncipe Harry.

E mesmo se eu não fosse casar com Harry, isso não seria um grande problema, porque algumas pessoas têm que ser solteiras. Quero dizer, se Madre Teresa tivesse casado e tido dois filhos não seria tão famosa.
De qualquer forma, acredito sim no amor, mas acho que é perfeitamente normal que não seja pra sempre porque nada é imutável. E quando as pessoas dizem que hoje em dia dizer "eu te amo" é banal, calem-se todos, essas pessoas muitas vezes realmente amam. E porque antigamente as pessoas não diziam "eu te amo" à toa, elas casavam obrigadas e eram proibidas de se separar e muitos casamentos eram mais infelizes que os de hoje. Ou seja, era uma grande merda.

Estou falando disso porque procurava um assunto pra comentar e vi um post sobre o amor no Luz de Luma. o post falava sobre um amor do passado de Carmem Miranda. Daí lembrei que estou há anos pra postar a história de amor mais linda que já ouvi falar. A história é verdadeira e aconteceu na minha família. Prepare-se para se emocionar e não terminar de ler o texto até o final.

"Estamos em 1960, em Cachoeiras de Macacu, cidade a cerca de 100km do Rio de Janeiro. A mocinha em questão é Vladir, uma moça muito bonita de 16 anos, filha de um dos maiores fazendeiros da região. Vladir e seus lindos vestidos adoravam passear pela cidade. Afinal, seu pai além da fazenda mantinha uma casa num dos melhores bairros do centro. e nessa época Vladir vive um desses namoros bonitos, de risadas prazerosas, com Erasmo, um rapaz simples, músico. Era desses namoros que quem teve adora lembrar e quem não teve sente pena de si mesmo ( o/).

Mas Vladir foi mandada pelos pais de volta pra fazenda. Antes de ir encontrou-se com Erasmo, e pediu que lhe escrevesse.
Na fazenda, Vladir esperava ansiosamente as cartas ou bilhetes de Erasmo, notícias que nunca chegavam.
Acredita-se que essas cartas foram desviadas por um dos funcionários da fazenda a mando de uma das primas de Vladir. Dizem que a moça, muito da feiosa, morria de inveja da prima bonita e apaixonada, recolhendo as cartas para si antes que chegassem a bela mocinha.
Enquanto isso, Erasmo escrevia mais e mais cartas, que nunca chegavam a amada. Sem ter respostas, restou-lhe pensar "Mas o quê uma moça bonita e de boa família veria em mim, um pobre músico que não faz sucesso, de família desconhecida?".
Na fazenda, só restava a Vladir chorar e ficar triste, sentir-se abandonada pelo rapaz que dizia amá-la. Talvez nesse tempo conhecera uma outra moça melhor, quem sabe? Provavelmente nem lembrava mais dela.

Pouco mais de um ano depois Vladir casou-se, mais por influência dos outros que por vontade própria. As notícias de suas bodas chegaram a Erasmo, que estava na cidade. A primeira coisa que passou por sua cabeça foi que realmente a moça o havia ignorado. O noivo de Vladir, José, era um rapaz bem empregado e lhe daria a segurança financeira que ele não podia. Talvez fosse melhor assim.

Vladir teve quatro filhos e foi morar no centro da cidade com a família, mas não viu mais Erasmo. Entretanto, sempre pensava no seu amor do passado e no quanto gostaria de ter notícias suas.
Erasmo às vezes via Vladir passando pela rua de longe e sentia uma vontade absurda de ir atrás dela. Mas sabia que não era prudente. Ela era uma mulher casada, com quatro filhos, de vida séria. Ele ainda vivia de sua música e estava se tornando um solteirão. Pois é, Erasmo nunca se casou nem teve filhos.

Em 2005, após mais de  40 anos de casamento Vladir ficou viúva. Se ver sozinha com mais de 60 anos levou Vladir de início à depressão, mas depois a vida foi melhorando e ela começou a aprender a viver uma vida mais individual. Num dia desses uma amiga de Vladir a chamou para uma visita.
E qual foi a surpresa de Vladir ao ver quem também estava lá, ansioso por vê-la: era Erasmo!

Sim, o Erasmo de sua juventude, de quem ela sentia falta, morria de saudades dela. Daí, não teve mais jeito, a paixão adolescente voltou com tudo!

Hoje eles namoram de um jeito que só vendo. Ele vai visitá-la a noite, saem muuuito juntos e fazem todo o possível para recuperar o tempo perdido."

Vladir é minha tia-avó, irma de vovó Dalma. Há alguns anos atrás, em uma de minhas estadas em Cachoeiras de Macacu fui visitá-la. Era de noitinha e ela falou: "Peraí que vocês têm que conhecer Erasmo!" Na mesma hora tia Vladir pegou o telefone e daí eu só ouvi: " Erasmo, vem cá, minha sobrinha tá aqui com a família dela, eles vão te adorar!".
E não deu em outra. Um senhor muito bem humorado, de boa aparência e educado chegou na casa de tia Vladir numa moto e veio cumprimentando todo mundo. Ambos sentaram-se e nos contaram sua história.
Nessa hora, Jardel, primo mais novo de mamãe, passou na sala e disse: "Erasmo, me empresta sua moto pra eu ir na casa da minha namorada?"
"Claro, meu filho, pode ir. Não se preocupa, depois eu volto pra casa andando ou de bicicleta", respondeu com sinceridade.
Depois que Jardel partiu ele olhou nos olhos de papai e disse: "Se tem uma coisa que eu queria é que esses garotos fossem meus filhos."
Mas acho que não há dúvidas de que Vladir e Erasmo são a prova viva de que nunca é tarde pra correr atrás da felicidade.

Sim, é de emocionar.

Porque amor existe.



1 de abril de 2012

There is love

Como meus leitores bem devem saber, eu sou um ser humano de vida amorosa praticamente inexistente. Isso não me preocupa, porque entrar em um relacionamento pode me levar a me apaixonar pelo cara, o que causará um sério problema daqui a 10 anos, quando eu casar com o príncipe Harry.

E mesmo se eu não fosse casar com Harry, isso não seria um grande problema, porque algumas pessoas têm que ser solteiras. Quero dizer, se Madre Teresa tivesse casado e tido dois filhos não seria tão famosa.
De qualquer forma, acredito sim no amor, mas acho que é perfeitamente normal que não seja pra sempre porque nada é imutável. E quando as pessoas dizem que hoje em dia dizer "eu te amo" é banal, calem-se todos, essas pessoas muitas vezes realmente amam. E porque antigamente as pessoas não diziam "eu te amo" à toa, elas casavam obrigadas e eram proibidas de se separar e muitos casamentos eram mais infelizes que os de hoje. Ou seja, era uma grande merda.

Estou falando disso porque procurava um assunto pra comentar e vi um post sobre o amor no Luz de Luma. o post falava sobre um amor do passado de Carmem Miranda. Daí lembrei que estou há anos pra postar a história de amor mais linda que já ouvi falar. A história é verdadeira e aconteceu na minha família. Prepare-se para se emocionar e não terminar de ler o texto até o final.

"Estamos em 1960, em Cachoeiras de Macacu, cidade a cerca de 100km do Rio de Janeiro. A mocinha em questão é Vladir, uma moça muito bonita de 16 anos, filha de um dos maiores fazendeiros da região. Vladir e seus lindos vestidos adoravam passear pela cidade. Afinal, seu pai além da fazenda mantinha uma casa num dos melhores bairros do centro. e nessa época Vladir vive um desses namoros bonitos, de risadas prazerosas, com Erasmo, um rapaz simples, músico. Era desses namoros que quem teve adora lembrar e quem não teve sente pena de si mesmo ( o/).

Mas Vladir foi mandada pelos pais de volta pra fazenda. Antes de ir encontrou-se com Erasmo, e pediu que lhe escrevesse.
Na fazenda, Vladir esperava ansiosamente as cartas ou bilhetes de Erasmo, notícias que nunca chegavam.
Acredita-se que essas cartas foram desviadas por um dos funcionários da fazenda a mando de uma das primas de Vladir. Dizem que a moça, muito da feiosa, morria de inveja da prima bonita e apaixonada, recolhendo as cartas para si antes que chegassem a bela mocinha.
Enquanto isso, Erasmo escrevia mais e mais cartas, que nunca chegavam a amada. Sem ter respostas, restou-lhe pensar "Mas o quê uma moça bonita e de boa família veria em mim, um pobre músico que não faz sucesso, de família desconhecida?".
Na fazenda, só restava a Vladir chorar e ficar triste, sentir-se abandonada pelo rapaz que dizia amá-la. Talvez nesse tempo conhecera uma outra moça melhor, quem sabe? Provavelmente nem lembrava mais dela.

Pouco mais de um ano depois Vladir casou-se, mais por influência dos outros que por vontade própria. As notícias de suas bodas chegaram a Erasmo, que estava na cidade. A primeira coisa que passou por sua cabeça foi que realmente a moça o havia ignorado. O noivo de Vladir, José, era um rapaz bem empregado e lhe daria a segurança financeira que ele não podia. Talvez fosse melhor assim.

Vladir teve quatro filhos e foi morar no centro da cidade com a família, mas não viu mais Erasmo. Entretanto, sempre pensava no seu amor do passado e no quanto gostaria de ter notícias suas.
Erasmo às vezes via Vladir passando pela rua de longe e sentia uma vontade absurda de ir atrás dela. Mas sabia que não era prudente. Ela era uma mulher casada, com quatro filhos, de vida séria. Ele ainda vivia de sua música e estava se tornando um solteirão. Pois é, Erasmo nunca se casou nem teve filhos.

Em 2005, após mais de  40 anos de casamento Vladir ficou viúva. Se ver sozinha com mais de 60 anos levou Vladir de início à depressão, mas depois a vida foi melhorando e ela começou a aprender a viver uma vida mais individual. Num dia desses uma amiga de Vladir a chamou para uma visita.
E qual foi a surpresa de Vladir ao ver quem também estava lá, ansioso por vê-la: era Erasmo!

Sim, o Erasmo de sua juventude, de quem ela sentia falta, morria de saudades dela. Daí, não teve mais jeito, a paixão adolescente voltou com tudo!

Hoje eles namoram de um jeito que só vendo. Ele vai visitá-la a noite, saem muuuito juntos e fazem todo o possível para recuperar o tempo perdido."

Vladir é minha tia-avó, irma de vovó Dalma. Há alguns anos atrás, em uma de minhas estadas em Cachoeiras de Macacu fui visitá-la. Era de noitinha e ela falou: "Peraí que vocês têm que conhecer Erasmo!" Na mesma hora tia Vladir pegou o telefone e daí eu só ouvi: " Erasmo, vem cá, minha sobrinha tá aqui com a família dela, eles vão te adorar!".
E não deu em outra. Um senhor muito bem humorado, de boa aparência e educado chegou na casa de tia Vladir numa moto e veio cumprimentando todo mundo. Ambos sentaram-se e nos contaram sua história.
Nessa hora, Jardel, primo mais novo de mamãe, passou na sala e disse: "Erasmo, me empresta sua moto pra eu ir na casa da minha namorada?"
"Claro, meu filho, pode ir. Não se preocupa, depois eu volto pra casa andando ou de bicicleta", respondeu com sinceridade.
Depois que Jardel partiu ele olhou nos olhos de papai e disse: "Se tem uma coisa que eu queria é que esses garotos fossem meus filhos."
Mas acho que não há dúvidas de que Vladir e Erasmo são a prova viva de que nunca é tarde pra correr atrás da felicidade.

Sim, é de emocionar.

Porque amor existe.