12 de fevereiro de 2011

Madureira

Alguém aqui já foi a Madureira? Em pleno verão? Se você nunca foi, sorte sua. Se já foi, como você ainda está vivo?

Tá, agora os admiradores do bairro movimentadíssimo do subúrbio carioca vão querer me apedrejar. E a merda droga é que passarei a ser frequentadora assídua do bairro. Sério.

Como minhas aulas começam segunda - em menos de 30 horas serei uma universitária! - , eu e mamãe fomos até a faculdade para que eu aprendesse a chegar lá de ônibus, já que das outras duas vezes em que fui lá estava de carro com papai.
Meu, eis mais motivos para odiar transporte público.

Saí de casa por volta das 10 da manhã. Demorei um pouco pra sair, eu sei. Mas é que ontem eu fui no McDonald, comi um super combinadão, desses que tem calorias suficientes pra uma semana. Hoje eu tive que fazer uma boa caminhada. Minha consciência tava pesando. Mais que o estomago depois do lanche, fato.

Tá, então eu e mamãe pegamos o ônibus que vinha de Maricá - eu moro na estrada que é caminho para Maricá, município da região dos Lagos -  e ia para o centro do Rio. Valor da passagem: R$10,00. Depois soltamos no centro da cidade, andamos até a Central - que eu creio que seja aquela central de Central do Brasil, o filme com a Fernanda Montenegro - onde pegamos um trem. Sim colegas, trem. Bem, eu sempre achei trem uma coisa muito legal. Eu queria governar uma cidade cheia de trens. Cara, trem não pega engarrafamento! Sabe o que é não pegar engarrafento? É como comer Big Mac e não engordar! É lindo!

Ok, mas o trem não era nada lindo. Ana Carol tinha me enchido a paciência pra eu não andar de trem, pois o trem passaria perto da cracolândia e aí os caras drogados invadiriam o trem e tentariam acabar comigo. Mas parece que até para os drogados da cracolândia eu sou invisível. Não. Porque eu não vi a droga da tal cracolândia e rapidinho cheguei na estação Madureira. Mas o trem era deplorável. Estava em tão péssimo estado que era mais provável eu morrer num acidente de trem que atacada por drogados. Depois de alguns minutos de sofrimento naquela droga de trem - acho que nem bondinhos me enchem mais os olhos - me deparei com um centro comercial assustador.
Eu já falei que odeio centros comerciais, shopping center, trânsito e tudo que remeta a metrópole? Pois que praticamente entrei em pânico. Eu prometo que um dia me mando pro interior do estado, onde eu tenha uma plantação de girassóis, uma horta, um pomar, e trabalhe no único posto de saúde da região. E que eu vá trabalhar de bicicleta, óbvio. Mas isso não vem ao caso agora.

Ao sair da estação dei de cara com um labirinto de passarelas. Meu Deus, era muita passarela! Tá, calma. Depois de pedir informação a umas vinte e cinco mil pessoas cheguei na faculdade, que já nem é Madureira direito, é Cascadura. Andei igual a uma bandeirante desbravadora da Amazônia e percorri as ruas apanhadas de lojas, vendedores ambulantes e transeuntes. Era o fim, só podia. Bebi uns 50 litros de água. Os vendedores ambulantes gritavam em nossos ouvidos sempre " água é um real, água é um real!". Tinha tanta van na rua que me senti na África do Sul. Cheguei a ponto de entrar na Americanas pra pegar uma brisa do ventilador que estava exposto. Isso pode não ser algo  legal mas você, caro leitor, não era eu, ok?

Bem, depois de muita peregrinação, descobri algumas coisas:

- mesmo que o termômetro da rua marque 41ºC a sombra, a sensação térmica pode beirar os 50ºC, pois tem gente demais na rua.

- Eu odeio barulhos.

- Em Madureira, as lojas de roupas vagabundas ( tipo: regatas de 3,99 e short de 2,99) vendem uniforme de escola pública, é sério. Mamãe acha que é porque as escolas só dão um uniforme e os alunos precisam de mais de um. Aí esses comerciantes ambiciosos que escravizam costureiras bolivianas, colombianas, peruanas e talz falsificam o uniforme e vendem. E vende muito! Nunca vi nada parecido em Niterói ou São Gonçalo.

- Se o teu sonho é estudar medicina, você acorda 04:40 da manhã, pega onibus, trem, anda pra caramba, pega onibus, outro onibus e chega em casa umas oito da noite. Pra revisar a matéria, você simplesmente nãp dorme.

- Se você sai, em pleno verão, e fica muito tempo andando em ruas ensolaradas, seu bronzeado fica com a marca da roupa. E você se despera!

- Arlindo Cruz fez aquelas música pra Madureira. Mas se ele fosse lá hoje e passasse pelo que passei, ele negaria até a morte.

- O Aquecimento Global destruiu a cidade maravilhosa. E o resto do mundo. Sim.

beeijos

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12 de fevereiro de 2011

Madureira

Alguém aqui já foi a Madureira? Em pleno verão? Se você nunca foi, sorte sua. Se já foi, como você ainda está vivo?

Tá, agora os admiradores do bairro movimentadíssimo do subúrbio carioca vão querer me apedrejar. E a merda droga é que passarei a ser frequentadora assídua do bairro. Sério.

Como minhas aulas começam segunda - em menos de 30 horas serei uma universitária! - , eu e mamãe fomos até a faculdade para que eu aprendesse a chegar lá de ônibus, já que das outras duas vezes em que fui lá estava de carro com papai.
Meu, eis mais motivos para odiar transporte público.

Saí de casa por volta das 10 da manhã. Demorei um pouco pra sair, eu sei. Mas é que ontem eu fui no McDonald, comi um super combinadão, desses que tem calorias suficientes pra uma semana. Hoje eu tive que fazer uma boa caminhada. Minha consciência tava pesando. Mais que o estomago depois do lanche, fato.

Tá, então eu e mamãe pegamos o ônibus que vinha de Maricá - eu moro na estrada que é caminho para Maricá, município da região dos Lagos -  e ia para o centro do Rio. Valor da passagem: R$10,00. Depois soltamos no centro da cidade, andamos até a Central - que eu creio que seja aquela central de Central do Brasil, o filme com a Fernanda Montenegro - onde pegamos um trem. Sim colegas, trem. Bem, eu sempre achei trem uma coisa muito legal. Eu queria governar uma cidade cheia de trens. Cara, trem não pega engarrafamento! Sabe o que é não pegar engarrafento? É como comer Big Mac e não engordar! É lindo!

Ok, mas o trem não era nada lindo. Ana Carol tinha me enchido a paciência pra eu não andar de trem, pois o trem passaria perto da cracolândia e aí os caras drogados invadiriam o trem e tentariam acabar comigo. Mas parece que até para os drogados da cracolândia eu sou invisível. Não. Porque eu não vi a droga da tal cracolândia e rapidinho cheguei na estação Madureira. Mas o trem era deplorável. Estava em tão péssimo estado que era mais provável eu morrer num acidente de trem que atacada por drogados. Depois de alguns minutos de sofrimento naquela droga de trem - acho que nem bondinhos me enchem mais os olhos - me deparei com um centro comercial assustador.
Eu já falei que odeio centros comerciais, shopping center, trânsito e tudo que remeta a metrópole? Pois que praticamente entrei em pânico. Eu prometo que um dia me mando pro interior do estado, onde eu tenha uma plantação de girassóis, uma horta, um pomar, e trabalhe no único posto de saúde da região. E que eu vá trabalhar de bicicleta, óbvio. Mas isso não vem ao caso agora.

Ao sair da estação dei de cara com um labirinto de passarelas. Meu Deus, era muita passarela! Tá, calma. Depois de pedir informação a umas vinte e cinco mil pessoas cheguei na faculdade, que já nem é Madureira direito, é Cascadura. Andei igual a uma bandeirante desbravadora da Amazônia e percorri as ruas apanhadas de lojas, vendedores ambulantes e transeuntes. Era o fim, só podia. Bebi uns 50 litros de água. Os vendedores ambulantes gritavam em nossos ouvidos sempre " água é um real, água é um real!". Tinha tanta van na rua que me senti na África do Sul. Cheguei a ponto de entrar na Americanas pra pegar uma brisa do ventilador que estava exposto. Isso pode não ser algo  legal mas você, caro leitor, não era eu, ok?

Bem, depois de muita peregrinação, descobri algumas coisas:

- mesmo que o termômetro da rua marque 41ºC a sombra, a sensação térmica pode beirar os 50ºC, pois tem gente demais na rua.

- Eu odeio barulhos.

- Em Madureira, as lojas de roupas vagabundas ( tipo: regatas de 3,99 e short de 2,99) vendem uniforme de escola pública, é sério. Mamãe acha que é porque as escolas só dão um uniforme e os alunos precisam de mais de um. Aí esses comerciantes ambiciosos que escravizam costureiras bolivianas, colombianas, peruanas e talz falsificam o uniforme e vendem. E vende muito! Nunca vi nada parecido em Niterói ou São Gonçalo.

- Se o teu sonho é estudar medicina, você acorda 04:40 da manhã, pega onibus, trem, anda pra caramba, pega onibus, outro onibus e chega em casa umas oito da noite. Pra revisar a matéria, você simplesmente nãp dorme.

- Se você sai, em pleno verão, e fica muito tempo andando em ruas ensolaradas, seu bronzeado fica com a marca da roupa. E você se despera!

- Arlindo Cruz fez aquelas música pra Madureira. Mas se ele fosse lá hoje e passasse pelo que passei, ele negaria até a morte.

- O Aquecimento Global destruiu a cidade maravilhosa. E o resto do mundo. Sim.

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